"Não se trata aqui de entrar em qualquer corrida ao armamento", afirmou Emmanuel Macron.
O Presidente francês anunciou esta segunda-feira que a França vai aumentar o número de ogivas nucleares e deixar de divulgar os dados sobre o arsenal nuclear do país.
"Não se trata aqui de entrar em qualquer corrida ao armamento", afirmou Emmanuel Macron, num discurso proferido na base de île Longue (noroeste).
"A cadeia de comando é totalmente clara e a decisão final" de lançar um ataque nuclear "cabe exclusivamente ao Presidente da República", destacou o chefe de Estado francês.
Macron disse que a França está a entrar assim, progressivamente, numa nova fase do seu armamento nuclear que chamou de “dissuasão avançada”.
“Temos de reforçar a nossa dissuasão nuclear face à combinação de ameaças e temos de pensar a nossa estratégia de dissuasão no interior do continente europeu, no pleno respeito da nossa soberania, com a implementação progressiva daquilo a que chamarei dissuasão avançada”, adiantou.
O chefe de Estado garantiu que oito países europeus aceitaram participar neste plano francês de “dissuasão avançada”: o Reino Unido, a Alemanha, a Polónia, os Países Baixos, a Bélgica, a Grécia, a Suécia e a Dinamarca.
Esses países poderão acolher “forças aéreas estratégicas” da Força Aérea Francesa, que poderão assim “espalhar-se pela profundidade do continente europeu” para “complicar os cálculos dos adversários”, explicou.
“Vivemos atualmente, no plano geopolítico, um período de rutura cheio de riscos e os nossos compatriotas estão plenamente conscientes disso. Este período justifica um endurecimento do nosso modelo”, justificou Macron.
Para Macron, esta nova "dissuasão avançada" a nível europeu "será compatível" com a da NATO.
A “dissuasão avançada” poderá também implicar a demonstração de capacidades nucleares, “incluindo para além das fronteiras estritas” dos países aliados, ou ainda “a participação convencional de forças aliadas nas atividades nucleares”, acrescentou Macron.
Também anunciou a construção de um novo submarino nuclear que será batizado de "O Invencível" e será lançado em 2036.
"Se tivéssemos de usar a arma nuclear, nenhum Estado se salvaria. Cada um dos nossos submarinos tem uma potência equivalente a todas as bombas que caíram sobre a Europa na Segunda Guerra Mundial, mil vezes superior às primeiras bombas atómicas", afirmou na base militar.
A França e o Reino Unido são os dois únicos países da Europa Ocidental com um arsenal nuclear próprio, que ambos desenvolveram durante a Guerra Fria, de forma a manter uma dissuasão própria e independente da dos Estados Unidos.
O Presidente francês disse ainda que a França, a Alemanha e o Reino Unido “vão trabalhar em conjunto em projetos de mísseis de longo alcance”.
“Isso dar-nos-á novas opções para gerir convencionalmente a escalada”, destacou, precisando que essa colaboração se insere “no âmbito da iniciativa chamada ELSA”, a European Long Range Strike Approach, lançada em 2024 e que também inclui a Itália, a Polónia e a Suécia.
Macron argumentou que a guerra contra o Irão, desencadeada pelos Estados Unidos e Israel, traz instabilidade e desafios para França.
A instabilidade “traz e trará consigo instabilidade e um possível conflito nas nossas fronteiras”, afirmou Macron.
Referindo-se aos riscos associados a “um Irão com capacidades nucleares e balísticas ainda não destruídas”, o Presidente francês acrescentou que voltaria a abordar este assunto “nos próximos dias”.
No domingo, Macron já tinha anunciado que a França iria “reforçar a sua postura e o seu apoio defensivo” após os ataques iranianos contra países do Golfo, nomeadamente os Emirados Árabes Unidos, onde um hangar de uma base francesa foi atingido.
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