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França exige reunião "urgente" do Conselho de Segurança após ataque químico na Síria

Chefe da diplomacia da UE acusa regime de Al Assad de ter ordenado ataque.
Lusa 4 de Abril de 2017 às 14:34
Ataque com gás venenoso faz dezenas de mortos na Síria
Ataque com gás venenoso faz dezenas de mortos na Síria FOTO: Reuters

A França exigiu esta terça-feira "uma reunião de urgência" do Conselho de Segurança das Nações Unidas na sequência de "um novo ataque químico particularmente grave na Síria", anunciou o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Marc Ayrault.

Em comunicado, Jean-Marc Ayrault condenou o ataque - denunciado pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) - como um "ato ignóbil".

"As primeiras informações dão conta de um elevado número de mortos, entre os quais crianças" na província de Idleb, indicou o ministro.

O chefe da diplomacia francesa realçou que "a utilização de armas químicas constitui uma inaceitável violação da Convenção sobre a Interdição de Armas Químicas (CIAC) e um novo testemunho da barbárie de que o povo sírio é vítima há tantos anos".

Por isso mesmo, explicou, a França "exigiu a convocatória de uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU".

Já a chefe da diplomacia da UE, a italiana Federica Mogherini, acusou diretamente o regime de Bashar al-Assad de ser "o principal responsável" pelo ataque químico.

"Hoje, as notícias são horríveis. Evidentemente que a principal responsabilidade vai para o regime" sírio, declarou Mogherini.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), o ataque aéreo com gás tóxico em Khan Cheikhoun causou 58 vítimas mortais, entre elas 11 menores.

A organização não-governamental, que citou fontes médicas e ativistas, acrescentou que alguns feridos do ataque, perpetrado por aviões não identificados, apresentavam sintomas de asfixia, vómitos e dificuldade de respirar.

O observatório indica ainda que o balanço de vítimas mortais poderá aumentar tendo em conta o elevado número de feridos.

Os ativistas sírios descreveram o ataque como um dos piores com gás tóxico no país em seis anos de guerra civil e disseram não ter ainda indicação sobre qual o tipo de gás utilizado.

De acordo com os mesmos ativistas, o ataque em Khan Cheikhoun, província de Idleb, foi causado por um bombardeamento aéreo levado a cabo ou pelo governo sírio ou pela aviação russa.

A oposição síria já pediu ao Conselho de Segurança da ONU que abra com urgência um inquérito sobre o ataque com "gás tóxico" perpetrado, segundo disse, pelo regime de Bashar al-Assad no noroeste do país.

A maior parte da província de Idleb está sob controlo de fações rebeldes e islâmicas, entre elas o Organismo de Libertação do Levante, a aliança formada em torno da ex-filial síria da Al Qaeda.

Nos últimos dias têm-se registado vários bombardeamentos, alegadamente com gases, no norte da Síria.

No passado dia 30 de março, mais de 50 pessoas ficaram feridas ou com sintomas de asfixia devido a ataques perpetrados por aviões e helicópteros não identificados, alguns com substâncias químicas, na província de Hama, vizinha de Idleb.


Exército russo nega ter realizado ataque químico em Khan Cheikhoun

As forças armadas russas negaram esta terça-feira ter realizado um ataque aéreo na zona de Khan Cheikhoun, na província síria de Idleb, onde um ataque químico matou pelo menos 58 pessoas, incluindo 11 menores.

"Os aviões da força aérea russa não realizaram qualquer ataque na localidade de Khan Cheikhoun", assegurou o Ministério russo da Defesa em comunicado.

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