Macron lembrou que França já destacou "uma primeira equipa de militares" para o território autónomo dinamarquês cobiçado pelos Estados Unidos,
O Presidente francês anunciou esta quinta-feira que vai enviar "nos próximos dias" novos "meios terrestres, aéreos e marítimos" para a Gronelândia e que irá investir um adicional de 36.000 milhões de euros nas Forças Armadas até 2030.
Emmanuel Macron, ao falar na apresentação de votos de Ano Novo às Forças Armadas na base aérea de Istres, perto de Marselha, lembrou que a França já destacou "uma primeira equipa de militares" para o território autónomo dinamarquês cobiçado pelos Estados Unidos,
"No âmbito de uma missão militar europeia, a França e os europeus devem continuar, em todos os locais onde os seus interesses estejam ameaçados, a estar presentes, sem escalada, mas intransigentes no respeito pela soberania territorial", afirmou o chefe de Estado francês.
Macron salientou que "o papel" da França é o de "estar ao lado de um Estado soberano para proteger o seu território".
Nesse sentido, o Presidente francês justificou o aumento da despesa militar, que duplicará ao longo dos seus dez anos no Palácio do Eliseu, devido à "aceleração da ameaça" e à necessidade de o país "ser temido" num contexto internacional "difícil".
"A aceleração dos perigos exige acelerar o esforço de defesa. Para sermos livres temos de ser temidos, para sermos temidos temos de ser poderosos", afirmou.
O chefe de Estado francês anunciou, nesse contexto, uma aceleração do rearmamento, com o investimento adicional de 36 mil milhões de euros até 2030 nas Forças Armadas, que inclui também o domínio espacial.
"As nossas ambições espaciais serão reforçadas, tanto civis como militares", em colaboração com os parceiros europeus, indicou Macron, avançando igualmente a realização de uma cimeira dedicada a este tema nos próximos meses.
Sem mencionar explicitamente a Gronelândia, Macron instou os militares a fazerem esforços para serem "contundentes neste mundo brutal", acrescentando que "todos os esforços contribuem para estarmos preparados, à altura dos perigos".
O Presidente francês recordou ainda que foi precisamente no mesmo cenário da base aérea de Istres, sede do arsenal nuclear francês, a 60 quilómetros de Marselha, que em 2017 anunciou a decisão de aumentar a despesa de defesa de França para 2% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2025, objetivo que já foi alcançado.
A Lei de Programação Militar (LPM), aprovada em julho de 2023, atribui 413 mil milhões de euros às Forças Armadas entre 2024 e 2030.
No entanto, "perante um mundo cada vez mais brutal", Macron solicitou mais 3.500 milhões de euros em 2026, dependentes da aprovação do Orçamento para esse ano, e mais 3.000 milhões em 2027.
Com esta trajetória, o orçamento da defesa terá quase duplicado ao longo dos dois mandatos de Emmanuel Macron, atingindo 64 mil milhões de euros anuais em 2027, em vez de 2030.
Macron estabeleceu igualmente como prioridade para 2026 a reposição do serviço militar voluntário e remunerado.
As Forças Armadas planeiam recrutar 3.000 efetivos este ano (1.800 no Exército, 600 na Força Aérea e Espacial, cuja campanha de recrutamento acaba de começar, e 600 na Marinha), 4.000 em 2027 e 10.000 em 2030, com o objetivo de atingir 42.500 efetivos em 2035.
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