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Correio da Manhã

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Gémeos nascem quatro meses após a morte da mãe

Jovem de 21 anos estava em morte cerebral.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 22 de Fevereiro de 2017 às 18:05
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A dedicação sem limites de médicos e outros funcionários de um hospital no sul do Brasil, que extrapolou e muito o simples profissionalismo, permitiu na passada segunda-feira, dia 20, o nascimento de duas crianças geradas no ventre de uma jovem com morte cerebral diagnosticada quatro meses antes. Com a anuência da família da jovem, os médicos decidiram manter as funções vitais dela a funcionar artificialmente, para que os gémeos, que naquela altura estavam apenas com pouco mais de dois meses de gestação, tivessem alguma chance de nascer

Frankielen Zampoli, que na altura tinha 21 anos, deu entrada em Outubro passado no Hospital Nossa Senhora do Rocio, em Campo Largo, área metropolitana de Curitiba, capital do estado brasileiro do Paraná, com um quadro de hemorragia cerebral aguda. Três dias depois, foi declarada a morte cerebral de Frankielen, e foi aí que o amor da família e a dedicação dos médicos começou a fazer diferença e permitiu salvar duas vidas.

Uma grande equipa multidisciplinar, que contou com médicos de várias especialidades, enfermeiros, fisioterapeutas e nutricionistas, entre outros, foi montada e começou a monitorizar a evolução da gravidez 24 horas por dia. Esse esforço concentrado permitiu manter o batimento cardíaco, a pressão e a temperatura da jovem já morta, bem como a oxigenação e o fornecimento de nutrientes e todas as outras funções vitais para os fetos, que se foram desenvolvendo dia a dia.

O envolvimento da equipa e da família de Frankielen foi mais além, e garantiu aos bebés ainda em formação no ventre da jovem mantida viva artificialmente o carinho que ela com certeza gostaria de ter-lhes dado mas não podia.

Familiares e profissionais do hospital passavam a mão na barriga da jovem, conversavam com os bebés, e fizeram e cantaram canções especialmente feitas para eles.

Segunda-feira, aos sete meses de gestação, e percebendo que não dava para prolongar mais a situação, os médicos decidiram fazer o parto, 123 dias após a morte cerebral de Frankielen. Azaphi, o menino, nasceu com 1,3 kg, enquanto a irmã, Ana Vitória, nasceu com 1,4 kg, com peso, tamanho e condições clínicas compatíveis com bebés prematuros.

Eles vão ser mantidos em incubadoras até terem mais peso e estabilizarem todas as funções. Segundo os médicos, ainda é cedo para se dizer se ficaram ou não com sequelas devido ao facto de terem sido gerados por uma mãe já morta, mas, aparentemente, estão em boas condições de sobreviver e serem crianças normais.
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