Stephen McCullagh foi considerado culpado pelo assassinato da companheira.
Um homem matou a namorada grávida e tentou usar uma sessão de 'gaming' pré-gravada no YouTube, para fingir que era uma emissão em direto, como álibi, na Irlanda do Norte. Stephen McCullagh foi considerado culpado pelo assassinato da companheira, esta segunda-feira. A audiência onde será anunciado o tempo mínimo que McCullagh terá de passar atrás das grades irá decorrer em maio.
Stephen McCullagh fez uma transmissão de seis horas a jogar Grand Theft Auto e Robot Wars para dar a entender que estava em casa, quando na verdade estava a cometer o homicídio, explicaram os procuradores no tribunal de Belfast, na sessão de julgamento de quinta-feira, segundo avança o jornal The Guardian.
O agressor terá gravado a sessão de 'gaming' nas noites de 14 e 15 de dezembro e colocou para emissão em direto na conta de Youtube, 'Votesaxon07', na noite de 18 de dezembro de 2022.
O júri composto por seis homens e seis mulheres assistiu a segmentos da emissão em direto na qual McCullagh aparecia com um chapéu de Pai Natal vestido e a dizer que "queria fazer um direto há algum tempo".
McCullagh disse aos espectadores que não podia ver os comentários no 'chat' em direto, porque estava a utilizar um computador velho. Bebeu Guinness e Baileys e fez várias referências ao facto de estar em casa a fazer um direto. "Não vou sair de casa esta noite", disse o agressor. O título do direto era 'Noite Violenta'.
Nessa mesma noite, disfarçou-se, apanhou um autocarro para Lurgan, foi a pé até à casa de McNally, matou-a e apanhou um táxi de volta para casa.
O médico legista James Lyness disse em tribunal que McNally, que estava grávida de 15 semanas, foi submetida a uma agressão prolongada que incluiu facadas no pescoço, estrangulamento e golpes fortes na cabeça.
Um dia após o assassinato, McCullagh foi à casa de McNally, ligou às autoridades a avisar que tinha encontrado o corpo da namorada e tentou usar o direto como álibi, culpando o ex-namorado da vítima pelo assassinato.
Durante mais de um mês, McCullagh acreditou que não era considerado um suspeito
O analista digital forense DC Matthews disse ao tribunal que a examinação do computador de McCullagh forneceu "provas extensivas indicando que a emissão foi pré-gravada e mais tarde emitida como um evento em direto". A emissão foi gravada no dia 14 e guardada como um ficheiro de vídeo que foi eliminado nas primeiras horas do dia 19 e depois removido do caixote do lixo do computador, explicou o analista.
Depois de a polícia deter McCullagh e fazer-lhe perguntas sobre o direto no YouTube, o agressor admitiu que o vídeo tinha sido gravado várias noites antes da morte de McNally, mas garantiu que tinha bebido álcool naquela noite e adormecido em casa. Os procuradores perceberam que não foi esse o caso.
Segundo os procuradores, McCullagh terá visto mensagens no telemóvel da namorada com outros homens, o que terá motivado o crime. O casal estava junto desde agosto de 2022 e McNally estava grávida com o bebé do agressor desde novembro do mesmo ano.
McCullagh, de 36 anos, nega ser responsável pela morte de Natalie McNally, de 32, cujo corpo foi encontrado em casa, em Lurgan, em dezembro de 2022. No entanto, o júri decidiu que o suspeito era o culpado do crime.
Os procuradores alegam que McCullagh esperava sair impune pelo assassinato que foi "planeado, calculado e premeditado".
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