Não é necessário investigar muito para saber que existe actualmente um maior número de mulheres do que homens. Só em Espanha há mais 682 mil mulheres, enquanto as estatísticas indicam que continuam a nascer mais raparigas. Um grupo de investigadores acaba de dar uma possível explicação antropológica a este desfecho histórico.
Estes peritos comprovaram que entre a adolescência e a idade adulta morrem três homens por cada mulher, salvo em países onde o género feminino sobrevive em péssimas condições, como a China ou o Qatar. Então é perigoso ser-se macho? Depois de analisar diferentes factores, os investigadores chegaram à conclusão de que este fenómeno nos acompanha desde a origem da espécie e tem muito a ver com o sexo oposto. Deve-se à sua inata tendência de lutar para conseguir favores por parte das mulheres.
O estudo, publicado na revista ‘Psicologia Evolutiva’, explica que quando se trata de reprodução, os mamíferos femininos (tal como as mulheres) consomem uma grande quantidade de energia durante a gravidez, o parto e os cuidados do bebé.
Por outro lado, os machos investem muito pouco nesta fase humana, o que leva a que não tenham qualquer problema em tentar acasalar o maior número de vezes possível. Mas é óbvio que devem lutar com outros machos para impor o seu papel. “A agressividade não é uma boa fórmula de para a sobrevivência pessoal, mas faz com que eles ganhem a atenção feminina”, declarava o antropólogo da universidade de Boston, Benjamin Campbell, à cadeia de televisão ABC.
CONDUTA GRAVADA
Claro que esta explicação é convincente para os antepassados, mas não o é tanto numa sociedade desenvolvida do século XXI. Actualmente, a reprodução não é considerada um risco elevado para a mulher e são poucos os homens que têm filhos de várias mulheres. No entanto, segundo Daniel Kruger, o autor do estudo, o comportamento está gravado no ADN e, consequentemente, o risco de morte é mais elevado nos homens. “É fácil comprovar que têm uma maior tendência para comportamentos de alto risco, uma maior inclinação para procurar problemas”, afirma. O ‘rebelde sem causa’, interpretado por James Dean, é um bom exemplo. Dean morreu num acidente rodoviário, em 1955, por excesso de velocidade.
De acordo com os dados recolhidos no Michigan, tal como James Dean, a percentagem de rapazes que morre numa idade precoce é muito mais elevada do que a registada entre as suas companheiras, num país ocidental. Sobretudo entre os 20 e os 24 anos há mais mortes por suicídio, homicídio e acidentes de tráfego. “Se fosse na adolescência poderia pensar-se que se devia ao rápido aumento da testosterona, mas acontece mais entre jovens adultos, o que significa que está mais relacionado com a competição pelas mulheres”, assegura Campbell.
Mas não é a única razão. Se assim fosse, seria lógico que, ao envelhecer, o número de mortes de ambos os sexos igualasse. E não é assim. Na faixa etária dos 60 anos, também é 1,68 vezes mais provável que um homem morra, sendo que a esperança de vida de uma espanhola é de 82,2 anos perante os 75,3 do seu companheiro.
FRACO SISTEMA IMUNITÁRIO
Na terceira idade, a culpa é da doença. Kruger explica que tradicionalmente o sexo masculino tem tendência a cuidar-se menos (bebe álcool, fuma e come alimentos pouco saudáveis), mas também há um aspecto que não pode controlar: a testosterona. A mesma hormona que o incita à agressividade também debilita o sistema imunitário.
Uma investigação realizada com homens castrados e outros não, concluiu que os primeiros sobrevivem aos segundos até 15 anos. E os que faleceram foi devido a infecções e não por causas violentas.
De qualquer modo, as estatísticas sobre a população geral indicam que vírus, bactérias e parasitas matam o dobro dos homens.
Em resumo, a evolução preparou os os machos para lutarem entre eles pelas fêmeas, mas não tanto para fazer frente às doenças. E num mundo onde a força bruta perde pontos, as armas e os carros substituíram o seu objectivo reprodutivo. “O comportamento evolutivo não favoreceu os homens”, conclui Kruger.
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