CEAST manifestou-se também preocupada com o "número assustador" de crianças e jovens fora do sistema de ensino.
Os bispos católicos angolanos alertaram esta segunda-feira para o flagelo da fome, da pobreza e do aumento dos índices de prostituição e de criminalidade, bem como da galopante desflorestação, e instaram as autoridades a darem prioridade à agricultura familiar.
Segundo o porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Belmiro Chissengueti, Angola enfrenta o "flagelo da fome e da pobreza" e regista igualmente aumento dos índices de prostituição e de criminalidade.
O bispo católico, que apresentava o comunicado final da I Assembleia Plenária da CEAST, que encerrou esta segunda-feira, em Luanda, referiu que, face à atual realidade socioeconómica de Angola, os bispos instam as autoridades governativas a priorizarem no Orçamento Geral do Estado (OGE) programas de fomento da agricultura familiar, que "devem garantir a autossuficiência alimentar, e ao emprego, sobretudo no meio rural".
Na sua mensagem, findos os trabalhos que decorreram entre 25 de fevereiro e esta segunda-feira, em Luanda, a CEAST manifestou-se também preocupada com o "número assustador" de crianças e jovens fora do sistema de ensino e "os altos níveis de abandono escolar, agravados com a pouca frequência e ausência dos professores nos meios rurais".
"Há, portanto, urgência na reconfiguração do sistema de ensino e da geografia dos concursos públicos para a educação", referiu o bispo angolano.
Belmiro Chissengueti, também bispo de Cabinda, considerou, por outro lado que Angola está a sofrer uma galopante e extremamente preocupante desflorestação, com todas as nefastas consequências para a degradação do meio ambiente.
"Há urgência de uma ação coordenada das autoridades e de todas as forças vivas da nação em vista à mitigação deste fenómeno", indicou, quando falava em conferência de imprensa.
Por outro lado, reiterou a necessidade de maior alocação de verbas do OGE para o sector agrícola, porque, notou, o montante atualmente cabimentado "não é suficiente".
"E também não é normal termos um país com a dimensão que temos, um país com quantidade de água que tem, não ter autossuficiência alimentar", acrescentou.
O porta-voz da CEAST criticou ainda os alegados "monopólios de importação" que, argumentou, não recebem de bom grado a produção nacional: "Não é em vão [que], em muitos casos, a produção nacional apodrece nas lavras e aldeias por falta de escoamento e as lojas e supermercados estão cheias de produtos importados".
"Naturalmente o Estado tem feito um esforço com legislações para limitar a importação de produtos, mas desde a intenção à aplicação ainda leva a sua estrada", respondeu ainda aos jornalistas.
Na reunião plenária, os prelados católicos enalteceram a visita do Papa Leão XIV a Angola, entre 18 e 21 de abril próximo, tendo convidado os fiéis e homens e mulheres de boa vontade a estarem presentes nas grandes celebrações no Kilamba (Luanda), Santuário da Muxima (Icolo e Bengo) e Saurimo (Lunda Sul).
Aprovaram uma Nota Pastoral e a Oração de preparação da visita de Leão XIV, o modelo de testamento para bispos e sacerdotes a ser implementado em todas as dioceses de Angola e São Tomé, o programa da IV Jornada Nacional da Juventude, que decorre em Luanda de 13 a 16 de agosto deste ano, e o programa do III Simpósio Bíblico Internacional, a realizar-se de 17 a 19 de setembro de 2026.
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