Decisão de Boasberg rejeita dois pedidos de documentos apresentados pelo Ministério Público ao Conselho de Governadores da Reserva Federal, concluindo que eram "pretextos".
Um juiz federal norte-americano anulou uma ação judicial interposta pelo governo contra o presidente da Reserva Federal (Fed), Jerome Powell, a quem o Presidente Donald Trump tem feito sucessivos ataques, incluindo pessoais.
Na decisão, datada de 11 de março e esta sexta-feira tornada pública, o juiz James Boasberg justifica que "há amplas provas de que o principal (senão o único) propósito destas ações judiciais é pressionar o Sr. Powell a ceder ao Presidente Trump ou a demitir-se e abrir caminho para um presidente da Fed que o fará".
"Por outro lado, o governo não apresentou qualquer prova de que o Sr. Powell tenha cometido qualquer crime para além de desagradar ao Presidente", adiantou o juiz.
A decisão de Boasberg rejeita dois pedidos de documentos apresentados pelo Ministério Público ao Conselho de Governadores da Reserva Federal, concluindo que eram "pretextos".
Estes documentos, refere, diziam respeito às obras na sede da Fed em Washington e ao depoimento de Powell perante o Congresso sobre os custos dessas reformas.
A procuradora para o Distrito de Columbia, que tinha iniciado a investigação contra Powell, denunciou veementemente a decisão, acusando Boasberg de ser um juiz "partidário" e assegurando que irá recorrer.
Trump, que no seu primeiro mandato nomeou Powell em 2017, tem instado repetidamente o banco central a cortar as taxas de juro para estimular a economia, repreendendo publicamente Powell e recorrendo mesmo a insultos pessoais, qualificando o banqueiro central como "um grande perdedor" ou "o Atrasado --- o PIOR".
Trump também atacou Powell devido à renovação da sede da Reserva Federal, ameaçando processar Powell "por incompetência".
O conflito intensificou-se no início do ano, quando os procuradores federais abriram uma investigação criminal contra Powell, focada nas obras na sede da Fed e no seu depoimento no Congresso.
Numa mensagem de vídeo em janeiro, Jerome Powell revelou que era alvo do processo judicial, que poderia resultar em acusações criminais.
Denunciou categoricamente uma tentativa de intimidar a instituição por não estar a seguir "as recomendações do Presidente".
A mensagem de Powell, invulgar para um banqueiro central, provocou indignação na comunidade empresarial, que a considerou mais um ataque à independência da instituição monetária.
Alguns congressistas republicanos também apoiaram Powell, alertando que não confirmariam qualquer nomeação para a Fed até que a questão fosse resolvida.
Para substituir Powell, cujo mandato termina em maio, Trump nomeou o ex-governador Kevin Warsh, mas o Senado ainda não marcou uma data para a sua audição de confirmação.
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