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Correio da Manhã

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Lula diz estar pronto para ser preso mas afirma ser velho para a luta armada

Antigo presidente brasileiro garante que não vai fugir.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 14 de Março de 2018 às 16:04
Lula da Silva
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Condenado a 12 anos e um dia de prisão por corrupção em janeiro do ano passado e podendo ser preso ainda este mês, dependendo da decisão do tribunal que o condenou em segunda instância, o ex-presidente brasileiro, Lula da Silva, afirmou durante uma entrevista para um livro que não tem idade para iniciar uma luta armada contra a injustiça que diz terem cometido contra ele e que está pronto para ser preso. A entrevista é a base do livro que será lançado na próxima sexta-feira em São Paulo sobre a condenação de Lula, intitulado "A verdade vencerá – O povo sabe por que me condenaram".

"Estou pronto para ser preso. O que não estou preparado é para a resistência Armada, nem tenho mais idade para isso. Aliás, como sou um democrata, nem aprender a atirar eu aprendi. Então, a luta armada está fora de questão", declarou o antigo presidente, respondendo aos entrevistadores sobre se estava preparado para ser preso e se apoiaria ameaças de alguns movimentos populares aliados que defendem resistir a uma eventual ordem de prisão através da força.

Entre os aliados que defendem o uso da violência contra a prisão de Lula está a própria presidente do Partido dos Trabalhadores, senadora Gleisi Hoffmann, o líder do partido no Congresso Nacional, senador Lindberg Farias, o MST, Movimento dos Trabalhadores Sem terra, e a CUT, Central Única dos Trabalhadores, ligada ao PT. Gleisi afirmou em entrevista que, para prenderem Lula, "vão ter de matar muita gente", Lindberg defendeu publicamente uma insurreição popular e líderes do MST e da Cut, os mais fiéis e radicais aliados do ex-presidente, já repetiram em diversas ocasiões que, para o defender, empunharão armas se for preciso.

Lula, porém, tem repetido que, apesar de poder "incendiar o Brasil" se quisesse, prefere fazer as coisas de forma democrática. Mesmo afirmando que a sua condenação é um golpe urdido pelas elites com o apoio de sectores da justiça e da grande imprensa para o impedirem de disputar as presidenciais do próximo mês de Outubro, cujas sondagens lidera com grande vantagem, e evitarem que ele volte ao poder.

Lula, que é arguido em vários outros processos ainda em fase de tramitação na justiça, foi condenado inicialmente num outro no passado mês de julho pelo juiz Sérgio Moro, que comanda a operação anti-corrupção Lava Jato, a nove anos e meio de prisão por ter recebido um apartamento triplex numa praia de São Paulo como parte de "luvas" pagas pela construtora OAS. No passado mês de janeiro, Lula perdeu o primeiro recurso que interpôs à sentença no Tribunal Regional Federal da 4. Região, TRF-4, em Porto Alegre, que ainda aumentou a pena para 12 anos e um dia de prisão, mas, apesar dos conselhos para deixar o Brasil e evitar a cadeia, garante que não o fará.

"Eu não vou sair do Brasil, não vou esconder-me em alguma embaixada, não vou fugir. A palavra "fugir" não existe no meu dicionário. Vou estar na minha casa (em São Bernardo do Campo, cidade vizinha a São Paulo, onde começou a sua trajetória sindical e política), a chegar todos os dias às oito, nove da noite, a deitar-me lá para as 10 e a levantar-me às cinco da manhã para fazer ginástica, como todos os dias", assegurou 
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