Objetivo dessa emissão conjunta de dívida seria investir em conjunto na transição ecológica, na inteligência artificial e na tecnologia quântica.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu o uso de um novo empréstimo conjunto dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE), que financiaria investimentos estratégicos e permitiria à UE "desafiar a hegemonia do dólar".
"Chegou o momento de a União Europeia lançar uma capacidade de endividamento comum, através das eurobonds", afirmou Macron numa entrevista publicada esta terça-feira por sete jornais europeus, entre eles Le Monde, The Economist e Süddeutsche Zeitung, dois dias antes de uma reunião informal de chefes de Estado e de Governo da UE centrada em como impulsionar a competitividade europeia.
O objetivo dessa emissão conjunta de dívida seria investir em conjunto na transição ecológica, na inteligência artificial e na tecnologia quântica, para que a UE não fique para trás nestes setores.
Na entrevista, que teve lugar esta segunda-feira no Palácio do Eliseu, em Paris, Macron apostou na criação de uma capacidade de endividamento comum para estas despesas futuras: "eurobonds com visão de futuro", sublinhou.
"Esta é uma oportunidade única, que também nos permitiria desafiar a hegemonia do dólar. Na verdade, o mercado global tem cada vez mais medo do dólar americano. Procura alternativas. Ofereçamos-lhe dívida europeia", propôs Macron, para quem seria "um grave erro não aproveitar esta capacidade de endividamento".
Macron também exortou a que não se sucumba a uma "sensação covarde de alívio" na crise da Gronelândia, que o Presidente norte-americano quer conquistar, porque a diminuição da tensão, na sua opinião, será de curta duração.
Neste contexto, para o Presidente francês, chegou o momento do "despertar" europeu nos domínios económico, financeiro, de defesa e segurança, e democrático.
E é preciso começar, disse ele, pela simplificação e aprofundamento do mercado interno, e continuar com o regime 28 (que visa criar um código europeu de direito comercial), a união dos mercados de capitais e a integração das nossas redes elétricas porque, indicou, "o mercado nativo para as nossas empresas não pode ser vinte e sete mercados diferentes, mas 450 milhões de pessoas".
O segundo pilar, continuou, é a diversificação, a assinatura de novas alianças comerciais, como a UE acaba de fazer com a Índia, uma vez que esta estratégia oferece uma nova fonte de crescimento e também permite reduzir as dependências, disse.
Questionado sobre o acordo comercial com o Mercosul, ao qual a França se opõe no seu estado atual, Macron afirmou que é "um mau negócio", que está "desatualizado" e foi "mal negociado".
"De qualquer forma, o Mercosul não terá o impacto drástico na nossa agricultura que alguns temem, nem o impacto positivo no nosso crescimento que outros imaginam", acrescentou.
Finalmente, o chefe de Estado francês defendeu a proteção da indústria da UE e a não imposição aos produtores europeus normas que não são exigidas aos importadores não europeus.
No domínio das parcerias industriais europeias, Macron defendeu o projeto do futuro avião de combate europeu (SCAF) como "um bom projeto", e argumentou que "as coisas devem avançar", apesar das tensões entre franceses e alemães.
"É um bom projeto e não tive qualquer indicação da parte alemã de que não seja um bom projeto. Quando os industriais tentam criar dissensão, é uma coisa, mas não nos cabe a nós apoiá-los", afirmou, garantindo que voltaria a discutir o assunto com o chanceler alemão, Friedrich Merz.
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