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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Macron defende endividamento europeu para financiar investimentos estratégicos

Objetivo dessa emissão conjunta de dívida seria investir em conjunto na transição ecológica, na inteligência artificial e na tecnologia quântica.

10 de fevereiro de 2026 às 08:14

O Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu o uso de um novo empréstimo conjunto dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE), que financiaria investimentos estratégicos e permitiria à UE "desafiar a hegemonia do dólar".

"Chegou o momento de a União Europeia lançar uma capacidade de endividamento comum, através das eurobonds", afirmou Macron numa entrevista publicada esta terça-feira por sete jornais europeus, entre eles Le Monde, The Economist e Süddeutsche Zeitung, dois dias antes de uma reunião informal de chefes de Estado e de Governo da UE centrada em como impulsionar a competitividade europeia.

O objetivo dessa emissão conjunta de dívida seria investir em conjunto na transição ecológica, na inteligência artificial e na tecnologia quântica, para que a UE não fique para trás nestes setores.

Na entrevista, que teve lugar esta segunda-feira no Palácio do Eliseu, em Paris, Macron apostou na criação de uma capacidade de endividamento comum para estas despesas futuras: "eurobonds com visão de futuro", sublinhou.

"Esta é uma oportunidade única, que também nos permitiria desafiar a hegemonia do dólar. Na verdade, o mercado global tem cada vez mais medo do dólar americano. Procura alternativas. Ofereçamos-lhe dívida europeia", propôs Macron, para quem seria "um grave erro não aproveitar esta capacidade de endividamento".

Macron também exortou a que não se sucumba a uma "sensação covarde de alívio" na crise da Gronelândia, que o Presidente norte-americano quer conquistar, porque a diminuição da tensão, na sua opinião, será de curta duração.

Neste contexto, para o Presidente francês, chegou o momento do "despertar" europeu nos domínios económico, financeiro, de defesa e segurança, e democrático.

E é preciso começar, disse ele, pela simplificação e aprofundamento do mercado interno, e continuar com o regime 28 (que visa criar um código europeu de direito comercial), a união dos mercados de capitais e a integração das nossas redes elétricas porque, indicou, "o mercado nativo para as nossas empresas não pode ser vinte e sete mercados diferentes, mas 450 milhões de pessoas".

O segundo pilar, continuou, é a diversificação, a assinatura de novas alianças comerciais, como a UE acaba de fazer com a Índia, uma vez que esta estratégia oferece uma nova fonte de crescimento e também permite reduzir as dependências, disse.

Questionado sobre o acordo comercial com o Mercosul, ao qual a França se opõe no seu estado atual, Macron afirmou que é "um mau negócio", que está "desatualizado" e foi "mal negociado".

"De qualquer forma, o Mercosul não terá o impacto drástico na nossa agricultura que alguns temem, nem o impacto positivo no nosso crescimento que outros imaginam", acrescentou.

Finalmente, o chefe de Estado francês defendeu a proteção da indústria da UE e a não imposição aos produtores europeus normas que não são exigidas aos importadores não europeus.

No domínio das parcerias industriais europeias, Macron defendeu o projeto do futuro avião de combate europeu (SCAF) como "um bom projeto", e argumentou que "as coisas devem avançar", apesar das tensões entre franceses e alemães.

"É um bom projeto e não tive qualquer indicação da parte alemã de que não seja um bom projeto. Quando os industriais tentam criar dissensão, é uma coisa, mas não nos cabe a nós apoiá-los", afirmou, garantindo que voltaria a discutir o assunto com o chanceler alemão, Friedrich Merz.  

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