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Correio da Manhã

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Mais de mil mortos do 11 de setembro ainda por identificar

Duas novas vítimas foram identificadas esta semana, as primeiras em dois anos. Médicos legistas estão a examinar mais de 22 mil restos humanos.
Francisco J. Gonçalves 11 de Setembro de 2021 às 01:30
Mais de mil mortos do 11 de setembro ainda por identificar
David Simões , bombeiro no 11/9
Teorias da conspiração multiplicam-se passadas duas décadas
Disco dos Supertramp é de 1979
Mais de mil mortos do 11 de setembro ainda por identificar
David Simões , bombeiro no 11/9
Teorias da conspiração multiplicam-se passadas duas décadas
Disco dos Supertramp é de 1979
Mais de mil mortos do 11 de setembro ainda por identificar
David Simões , bombeiro no 11/9
Teorias da conspiração multiplicam-se passadas duas décadas
Disco dos Supertramp é de 1979
Passaram 20 anos e há ainda 1106 vítimas dos atentados que não foram identificadas. Mas o trabalho das equipas forenses continua e levou esta semana à identificação de duas pessoas. As vítimas 1646 e 1647, num total de 2753 mortas no World Trade Center, são as primeiras identificadas desde outubro de 2019.

Uma delas é Dorothy Morgan, de 47 anos, agente de seguros que na altura do embate dos aviões estava na Torre Norte. Decorrido tanto tempo, a filha, Nykiah Morgan, não se sente capaz de fazer um novo funeral para sepultar um pequeno pedaço da mãe. “É como reabrir velhas feridas. Sentimos estar melhor e de súbito estamos de novo a reviver tudo”, afirmou. Até hoje, o dia 11 de setembro não existia no seu calendário e hoje, quando ler o nome da mãe durante as cerimónias do 20º aniversário dos atentados, será a sua primeira vez no Ground Zero (local onde se erguiam as Torres Gémeas).

As novas identificações só foram possíveis graças aos avanços da tecnologia forense. No caso da vítima 1647 (um homem cuja identidade não foi revelada a pedido da família), os médicos examinaram restos humanos encontrados em 2001, 2002 e 2006. Ao todo, estão a ser testados repetidamente mais de 22 mil restos humanos recuperados nas ruínas das Torres Gémeas, alguns pouco maiores que uma drageia.

“Não importa quanto tempo passe, nunca esqueceremos e prometemos usar todas as ferramentas ao nosso dispor para garantir que todos o que se perderam são reunidos com as famílias”, afirmou a Drª Barbara Sampson, chefe do departamento forense de Nova Iorque.

As dificuldades estão bem espelhadas nas duas décadas de esforços que fazem da investigação em curso a mais complexa e vasta operação forense da História dos EUA. 

Da conspiração judaica ao falso ataque de aviões
As primeiras teorias sobre os atentados nasceram logo que as Torres Gémeas ruíram e 20 anos volvidos ainda se multiplicam. Entre as mais chocantes, destaque para as relativas a um complô judaico. Uma envolve Larry Silverstein, que comprou as torres em julho de 2001. Teria sido ele a informar os terroristas (ou até a pagar-lhes).

A esta teoria liga-se a de que as torres caíram como um baralho de cartas porque no interior estavam colocadas cargas explosivas, acionadas após o embate dos aviões, que serviu de disfarce ao plano sinistro de Silverstein, que queria receber um milionário prémio do seguro. Daí ao envolvimento de Israel e da Mossad foi um passo. Disse-se que uma prova disto seria que nenhum judeu morreu nos atentados. O que é falso, pois pelo menos 119 das cerca de 3 mil vítimas eram judias.

Outra teoria culpa o governo dos EUA. Sabia do ataque e nada fez, diz-se, tendo travado os caças que poderiam ter intercetado os aviões desviados. Mas o prémio do delírio vai para a teoria na qual nenhum avião embateu nas Torres Gémeas. Os aviões foram meros efeitos visuais, criados para esconder os mísseis que arrasaram os edifícios.

Leitura dos nomes de todas as vítimas
O ponto alto da cerimónia dos 20 anos dos ataques será a leitura dos nomes das vítimas, que será feita no Ground Zero por membros das famílias.

Minuto de silêncio na hora dos atentados
Às 8h46, hora em que o primeiro avião colidiu, cumpre-se o primeiro minuto de silêncio. Cerimónia termina às 13h00 (18h00 em Lisboa).

“Só encontrávamos partes de pessoas”
O relato de David Simões, filho de pais portugueses, um dos primeiros bombeiros a chegar às Torres Gémeas, retrata um quadro de terror. “Era o caos, não havia organização. As pessoas deambulavam. Era inacreditável a dimensão das pilhas de destroços”, recordou anos depois à CMTV. “Havia uma nuvem de fumo e não sabíamos o que tinha acontecido”. Concluiu: “Procurávamos e só encontrávamos, nem sequer eram pessoas... eram partes de pessoas.”

‘Indícios’ numa capa de disco
A teoria defende que a capa de ‘Breakfast in America’, dos britânicos Supertramp, dá indícios do que aconteceu. No topo surge o U e P em cima das Torres e quando a imagem é espelhada, as letras ‘viram’ 9 e 11.


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