Há quem diga tratar-se de um suicídio em massa, outros apontam para origem criminosa. Cinco dos falecidos trabalhavam para a Agência Nacional de Controle de Áreas Protegidas.
O diretor da polícia nacional da Bulgária fala num caso sem precedentes no país e "mais intrigante" do que viu no 'Twin Peaks', a série de mistério e suspense da década de 1990 de David Linch. Zahari Vaskov referia-se às seis mortes misteriosas ocorridas este mês em montanhas do país, caso que tem motivado várias teorias, desde suicídio em massa a assassinato.
De acordo com o The Guardian, no início de fevereiro, três homens, de 45, 49 e 51 anos, foram encontrados mortos nos escombros de uma pousada que ardeu perto do desfiladeiro de Petrohan, que liga a província de Sofia a Montana, no noroeste do país.
Os três tinham ferimentos de balas na cabeça e o mais estranho é que os vestígios de ADN recolhidos das armas pertenciam aos três homens.
No domingo, na zona do Pico Okolchitsa, cerca de 100 km a norte da capital Sófia, as autoridades encontraram numa autocaravana outros três corpos, neste caso de dois homens de 51 e 22 anos, e de um rapaz de 15 anos. Inicialmente, os investigadores suspeitaram que estivessem ligados às mortes no desfiladeiro de Petrohan.
“Com base nos dados da autópsia dos três corpos [últimos], parece que provavelmente ocorreram dois homicídios sucessivos e um suicídio”, reagiu o MP búlgaro à agência France Press, sem adiantar mais pormenores.
Para adensar ainda mais este mistério, as autoridades da Bulgária revelaram esta semana que cinco dos seis homens encontrados mortos eram elementos da Agência Nacional de Controle de Áreas Protegidas, uma organização não governamental dedicada à proteção da natureza que utilizava o alojamento em Petrohan como sede.
Ainda segundo a imprensa búlgara, alguns destes homens pertenciam a um grupo de budistas tibetanos e, de acordo com um parente de um deles, aparentavam alguma instabilidade psicológica.
Outras pessoas próximas dos falecidos defendem outra tese - poderão ter sido assassinados por terem testemunhado atividades criminosas na região da fronteira entre a Bulgária e a Sérvia, onde o tráfico de pessoas e a extração ilegal de madeira são comuns.
"Obviamente que eles testemunharam alguma coisa. Para mim, este é um assassinato premeditado", disse a uma TV búlgara a mãe de um dos homens encontrados mortos na autocaravana.
Com a Bulgária envolta numa situação política de instabilidade, sem governo, o ex-presidente Rumen Radev, que renunciou ao cargo no mês passado após quase uma década no poder, classificou o caso como “um choque político e um sinal da situação do país”.
“Esta tragédia deve ser investigada pelas autoridades competentes. As causas destes assassinatos precisam de ser esclarecidas o mais rápido possível, porque o povo espera respostas”, disse.
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