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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Mulher indiana morre após ser violada com uma barra de ferro

Vítima foi encontrada inconsciente dentro de um autocarro na Índia. O caso aconteceu na última sexta-feira.

13 de setembro de 2021 às 11:58

Uma mulher indiana foi alegadamente agredida e violada na última sexta-feira em Mumbai, uma das maiores cidades da India.

A vítima de 34 anos, encontrada inconsciente dentro de um autocarro aberto, no bairro suburbano de Sakinaka, terá sido agredida e violada com recurso a uma barra de ferro, de acordo com o comissário da polícia de Mumbai, Hemant Nagrale, citado pela CNN.

A mulher chegou a ser internada no hospital mas morreu, este sábado, na sequência dos ferimentos graves.

A polícia já conseguiu prender um suspeito que ficará sob custódia até ser formalmente acusado e que poderá enfrentar a pena de morte, caso seja considerado culpado. O inspetor-chefe da polícia de Sakinaka, Balwant Deshmukh, disse à CNN que a vítima e o suposto autor do crime eram ambos sem-abrigo.

Os contornos do caso voltaram a chamar a atenção para a elevada taxa de violações sexuais que acontecem no país. A ativista pelos direitos das mulheres Yogita Bhayana disse que o caso "abalou a nação mais uma vez" porque foi "incrivelmente semelhante" à violação e homicídio da estudante Nirbhaya em 2012, na capital da Índia, Nova Deli.

Nirbhaya - um pseudónimo dado à vítima, que significa "destemida" - foi violada e agredida com barras de ferro e sofreu ferimentos fatais. A vítima de 23 anos morreu duas semanas após o ataque num hospital em Singapura.

O caso ocorrido em 2012 lançou a discussão sobre os casos de agressão sexual na Índia e motivou milhões de mulheres a protestar por leis mais duras para os casos de violência contra o sexo feminino. 

"Depois do caso Nirbhaya, pensámos que as coisas iriam mudar, mas continuamos a ouvir sobre casos de violação todos os dias. Não passa um único dia sem que ouçamos falar de um", disse Bhayana, citada pela CNN. "Como ativistas, pressionamos e investigamos o governo e a nação, mas quando ouvimos falar de tal brutalidade, sentimo-nos impotentes", acrescentou.

Depois do caso Nirbhaya, foram aprovadas penas mais severas para violações, novas medidas para acelerar os processos judiciais e uma redefinição do conceito de violação que abrangesse também a "penetração anal e oral". Mas, a realidade é que os casos de violação no país continuam a acontecer.

De acordo com os últimos dados disponíveis do National Crime Records Bureau da Índia, mais de 32 mil casos de alegadas violações contra mulheres foram registados em 2019, o que significa que de 17 em 17 minutos uma mulher é violada na Índia.

Números preocupantes mas que estão longe de uma realidade ainda mais dura. De acordo com um estudo de 2018, baseado num inquérito a quase 80 mil mulheres, 99,1% dos casos de violência sexual não chegam a ser reportados.

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