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Correio da Manhã

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OMS desaconselha uso de ibuprofeno para alívio de sintomas do coronavírus

DGS e Infarmed tinham já informado que o medicamento "não potencia a ação do vírus".
SÁBADO 17 de Março de 2020 às 16:10
Ibuprofeno
Ibuprofeno FOTO: Getty Images

A Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselhou esta terça-feira o uso de ibuprofeno para alívio de sintomas do novo coronavírus. 

O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, fez a recomendação numa conferência de imprensa em Genebra, na Suíça, na qual adiantou que a situação está a ser analisada por especialistas e que estudos sobre o efeito do ibuprofeno ainda estão a ser realizados, com os resultados o conhecimento dos resultados a chegar apenas em maio.

Até lá, o responsável recomenda o uso de paracetamol e que o ibuprofeno não seja usado como automedicação para tratar sintomas do novo coronavírus.

Os avisos quanto aos perigos do ibuprofeno começaram este sábado, quando o ministro da Saúde francês, Olivier Véran, aconselhou nas redes sociais que a ingestão de anti-inflamatórios "pode ser um fator que piore a infeção" nos doentes com Covid-19.



Este domingo, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou que "nem o Brufen, nem outros medicamentos, potenciam a ação do vírus", dizendo que seria feito um desmentido à escala europeia pois não haveria provas científicas que sustentem esse efeito prejudicial.

Também a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), em comunicado este domingo, havia confirmado que "não existem, actualmente, dados científicos que confirmem um possível agravamento da infecção por covid-19 com a administração de ibuprofeno ou outros anti-inflamatórios não-esteróide

Na sua página, a Direção-Geral de Saúde refere que antibióticos "não devem ser usados" na prevenção e tratamento do novo coronavírus, referindo que este não tem efeito sobre o Covid-19, mas não faz qualquer referência a anti-inflamatórios.

Um relatório divulgado pela revista científica The Lancet, divulgado a 11 de março, revela que três estudos feitos a doentes chineses evidenciaram que a classe de anti-inflamatórios não esteróides (conhecidos como AINE’s) aumenta a expressão de enzimas conversoras de angiotensina 2 (ACE2), recetores que existem em células epiteliais dos pulmões, intestinos, rins e vasos sanguíneos, e aos quais o SARS-CoV-2 se liga para entrar no organismo humano.

Assim, dizem, a ingestão de medicamentos como o Brufen ou o Spidifen pode afetar a capacidade de reação do sistema imunitário, responsável por combater o vírus. O uso de medicamentos da classe AINE’s está também desaconselhado em todos os casos de viroses respiratórias, como é o caso da Covid-19.

Os mesmos estudos apontam que a gravidade da infeção também pode ser influenciada pelo uso de substâncias como a cortisona ou a ingestão de medicamentos para combater a diabetes mellitus tipo 2, cuja substância ativa são as tiazolidinedionas (TZD’s), que também aumentam a expressão dos recetores ACE2 e facilitam a entrada do novo coronavírus no organismo humano.

Os investigadores responsáveis pelo estudo apontam ainda que, caso a influência do ACE2 seja confirmada, será gerado um conflito devido à influência que o recetor tem nos tratamentos para reduzir inflamação e em terapias para curar doenças respiratórias, cancro, diabetes e hipertensão, e sugerem que pacientes com doenças cardíacas, hipertensão ou diabetes sejam tratados com inibidores de ACE – bloqueadores do recetor de angiotensina 2 (ARB’s), como o Valsartan ou o Losartan.

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