Papa aproveitou ainda a homilia para reiterar o seu apelo contra a guerra.
Papa Leão XIV pede que “as armas se calem” e alerta para expansão da guerra no Médio Oriente
AP
O Papa Leão XIV denunciou este sábado as guerras que assolam o mundo como "fruto da idolatria do poder e do dinheiro", durante uma missa no Estádio Luís II, no Mónaco, país com a maior concentração de milionários do mundo.
A assistir à missa, com que Leão XIV terminou a sua visita ao principado, e num lugar de honra junto ao altar, encontravam-se o Príncipe Alberto II e a Princesa Charlene, vestidos de branco e envergando uma mantilha, privilégio reservado aos soberanos católicos, juntamente com os seus filhos, Jacques e Gabriella.
As suas irmãs, Caroline e Stephanie, estavam sentadas na segunda fila. A restante família Grimaldi, que assistiu à cerimónia, estava sentada nas primeiras filas, entre os fiéis.
Perante cerca de 15 mil pessoas neste pequeno país, onde apenas cerca de noive mil são monegascos e os restantes são estrangeiros residentes neste país com a maior concentração de milionários do mundo, o Papa pediu à Igreja que ajude a "ser um lugar de acolhimento, de dignidade para os pequenos e os pobres, de desenvolvimento integral e inclusivo".
O Papa aproveitou ainda a sua homilia para reiterar o seu apelo contra a guerra: "Não nos habituemos ao rugido das armas ou às imagens da guerra! A paz não é um mero equilíbrio de poder; é obra de corações purificados, daqueles que veem no outro um irmão a quem cuidar, não um inimigo a ser derrotado", disse o Papa, que falou em francês durante todo o evento.
"Ainda hoje, quantos cálculos são feitos no mundo para matar pessoas inocentes?", lamentou ainda o pontífice norte-americano.
E pediu: "Assumamos a responsabilidade por toda a existência humana, em cada uma das suas vulnerabilidades, desde a conceção no útero até à velhice. Como nos ensinou o Papa Francisco, a cultura da misericórdia rejeita a cultura do descarte".
Em diversas ocasiões durante esta visita, o Papa defendeu a vida desde a conceção. Em novembro de 2025, Alberto II recusou-se a assinar a lei que procurava legalizar o aborto no Principado, depois de o Conselho Nacional ter aprovado uma reforma para aplicar esta legislação.
Aos jovens, o Papa recomendou que tenham "momentos de silêncio e de escuta" para "acalmar o frenesim" das mensagens, vídeos e conversas, e para "aprofundar e saborear a beleza de estar verdadeira e concretamente juntos".
Palavras expressas por Leão XIV num encontro com jovens e catecúmenos realizado durante a visita, na praça da Igreja de Santa Devota, dedicada a uma jovem mártir do século IV e padroeira do país.
"Devemos limpar a porta dos nossos corações destas coisas para que o ar saudável e oxigenador da graça possa, mais uma vez, refrescar e revitalizar as suas câmaras", disse.
A este propósito, Leão XIV acrescentou que "a inquietação encontra a paz e o vazio interior é preenchido" e "não com coisas materiais e passageiras, nem mesmo com o reconhecimento de milhares de 'gostos', ou com afiliações condicionais, artificiais e, por vezes, até violentas".
"Vivemos num mundo que parece estar sempre apressado, ávido de novidades, amando uma fluidez sem laços, marcado por uma necessidade quase compulsiva de mudança constante: nas modas, na aparência, nas relações, nas ideias e até nas dimensões que constituem a identidade de uma pessoa. Mas o que dá solidez à vida é o amor", afirmou o Papa, dirigindo-se aos jovens.
À chegada ao Principado, o Papa foi recebido com honras pelo Príncipe Alberto II do Mónaco e pela Princesa Charlene. Fez uma visita de cortesia ao Palácio do Príncipe do Mónaco e apareceu na varanda para saudar os cidadãos reunidos na Praça do Palácio.
Leão XIV encontrou-se com a comunidade católica na Catedral da Imaculada Conceição de manhã e, de seguida, com jovens e catecúmenos na zona em frente à Igreja de Santa Devota, antes de celebrar a Santa Missa no Estádio Luís II.
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