page view

Parlamento Europeu recusa ratificar acordo comercial com EUA enquanto houver ameaças de Trump face à Gronelândia

Trump ameaçou a Dinamarca, França, Alemanha, Países Baixos, Suécia, Finlândia, Noruega e Reino Unido com tarifas de 10%, caso se oponham à aquisição da Gronelândia por parte dos EUA.

21 de janeiro de 2026 às 18:24

O Parlamento Europeu recusa ratificar o acordo comercial entre Bruxelas e Washington alcançado no verão passado enquanto persistirem as ameaças do Presidente norte-americano sobre a Gronelândia e de aplicar tarifas a países europeus, disse esta quarta-feira um responsável.

"Perante ameaças contínuas e crescentes, incluindo ameaças tarifárias, contra a Gronelândia e a Dinamarca e os seus aliados europeus, não nos restou alternativa senão suspender o trabalho sobre as duas propostas legislativas de Turnberry (Escócia) até que os Estados Unidos (EUA) decidam retomar um caminho de cooperação em vez de confronto", afirmou o presidente da comissão de Comércio do Parlamento Europeu e relator para as relações comerciais com os EUA, Bernd Lange.

O eurodeputado alemão (Socialistas e Democratas, S&D) confirmou assim, através de um comunicado, a informação, avançada na véspera pelos principais grupos políticos europeus, de que o Parlamento Europeu iria suspender a ratificação.

Trump ameaçou a Dinamarca, França, Alemanha, Países Baixos, Suécia, Finlândia, Noruega e Reino Unido com tarifas de 10% a partir de 01 de fevereiro, caso se oponham à sua aquisição da Gronelândia, que subiriam para 25% em junho.

Numa conferência de imprensa na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, onde decorre esta semana uma sessão plenária, Lange denunciou um "ataque aos interesses económicos e à soberania territorial da União Europeia (UE)".

"É totalmente claro que houve uma quebra do acordo da Escócia pelo Presidente Trump, (...) ao anunciar tarifas de 10% sobre bens europeus a partir de 01 fevereiro e depois de 25% se a Gronelândia não for para os Estados Unidos", afirmou o presidente da comissão de Comércio do Parlamento Europeu.

Com "esta pressão", considerou, Trump "está a entrar numa nova qualidade de relações" e está "agora a usar as tarifas como um instrumento".

"Vamos aguentar o procedimento até haver uma clareza sobre a Gronelândia e até que as ameaças terminem. Não há possibilidade de compromisso enquanto houver ameaças", insistiu.

No acordo assinado por Trump e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Bruxelas concordou com tarifas de 15% sobre a grande maioria dos produtos europeus -- incluindo automóveis e semicondutores --, enquanto a entrada dos bens industriais norte-americanos na UE ficariam isentos de taxas.

Desde então, as exportações europeias têm enfrentado uma tarifa de 15% nos Estados Unidos, mas a UE só pode começar a cumprir a sua parte do acordo após a ratificação do Parlamento Europeu -- uma decisão que foi agora adiada indefinidamente.

Na mesma conferência de imprensa, Lange adiantou que a comissão a que preside no Parlamento Europeu deverá propor à Comissão Europeia, na próxima segunda-feira, que inicie o procedimento para ativar o instrumento anti-coerção, pedido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron.

O eurodeputado recordou ser "um dos pais" deste instrumento, "criado exatamente para quando um país está a usar tarifas ou investimento com fins políticos".

"Espero que os coordenadores decidam pedir o início do procedimento de investigação do instrumento anti-coerção. Claro que, entre agora e segunda-feira, há muito tempo e veremos o que acontece", adiantou, ressalvando: "Neste momento, não vejo grandes movimentos da parte dos EUA, mas há surpresas diárias da Casa Branca e da Truth Social, a nova plataforma de comunicação do Governo norte-americano".

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8