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Parlamento moçambicano preocupado com "homens-catanas" e homícido de mototaxistas

Presidente do parlamento disse que o aumento da criminalidade no país "é preocupante".

25 de fevereiro de 2026 às 09:50

A presidente do parlamento moçambicano manifestou esta quarta-feira preocupação com os crimes cometidos pelos chamados "homens-catana" e homicídio de mototaxistas, repudiando ainda o atentado contra um jornalista do canal privado STV, referindo que estes fenómenos criam "medo".

"É preocupante o recrudescimento da criminalidade, em algumas cidades do país, onde se registam incursões protagonizadas por indivíduos vulgarmente conhecidos como 'homens-catana', bem como assassinatos de mototaxistas, trabalhadores que diariamente lutam pelo sustento das suas famílias", disse a presidente do parlamento moçambicano, Margarida Talapa.

A responsável falava na abertura da terceira sessão ordinária desta legislatura, referindo que estes atos atentam contra o Estado de direito fundamental à vida, prometendo mais legislação que garanta combate ao crime para a segurança pública.

"Estes atos violentos atentam contra o direito fundamental à vida, à segurança e à tranquilidade das comunidades, além de que criam medo, fragilizam a coesão social e minam a confiança dos cidadãos nas instituições. Nenhuma sociedade pode prosperar quando a violência se normaliza e o medo se instala no quotidiano das pessoas", disse Talapa.

A província de Manica, centro do país, tem sido principal palco das agressões recorrendo a catanas, com as autoridades a avançarem anteriormente que pelo menos 30 pessoas foram detidas em 2025 na província por suspeitas de envolvimento em 14 casos de agressões, com registo de uma morte.

Para o parlamento moçambicano, o combate a este tipo de crime e outros crimes exige abordagem integrada, apelando a reforço da ação policial e eficácia investigativa para uma justiça célere.

"Repudiamos, de forma veemente, o atentado a que foi vítima o correspondente da STV em Manica, Carlitos Cadangue, em violação grosseira da liberdade de expressão e de imprensa, bem como dos fundamentos basilares do Estado do direito democrático, consagrados na Constituição", avançou Talapa.

O jornalista Carlitos Cadangue, que tem divulgado nos últimos meses várias reportagens sobre mineração ilegal na região, sofreu um ataque a 04 de fevereiro, em Chimoio, Manica, escapando ileso após dois homens terem feito vários disparos sobre a viatura em que seguia, com o filho.

Nas mesmas declarações, Talapa disse que a mineração ilegal continua a constituir "um desafio complexo" no país devido ao seu impacto nas vidas das pessoas.

A mineração ilegal e a poluição do meio ambiente levou o parlamento a criar, em janeiro, uma comissão de inquérito para averiguar a veracidade das alegações locais sobre o uso de "substâncias químicas perigosas na exploração mineira" em Manica, após denúncias sobre a poluição de cursos de água que desaguam na Albufeira de Chicamba, principal fonte de abastecimento de água potável para alguns distritos.

A referida comissão constatou que o uso de químicos perigosos na mineração na província de Manica, centro de Moçambique, continua "desafiante e difícil", prometendo continuar a investigar as alegações levantadas para apurar a verdade.

"A grande preocupação é a referência da existência de produtos químicos na mineração, que são nocivos à saúde pública e ao ambiente. Definitivamente, constatamos que a situação é desafiante, é difícil, há tendências de melhorar, mas ainda merece muita atenção, muito cuidado do nosso lado", disse na altura Aires Aly, presidente da comissão de inquérito da Assembleia da República.

Esta quarta-feira, Margarida Talapa disse que o exercício de fiscalização parlamentar demonstra o compromisso inequívoco da Assembleia da República para a defesa da vida humana, da saúde pública e do ambiente.

"Os recentes casos de desabamento de minas em Monapo, Vanduzi e Gurué, que resultaram na morte de vários garimpeiros, expõem a vulnerabilidade social de muitos cidadãos e os riscos relacionados à exploração desordenada dos recursos minerais", concluiu.

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