Pedidos de asilo diminuíram quase um terço desde o pico registado em 2023.
Os pedidos de asilo à União Europeia (UE) caíram um quinto em 2025 para 822.000, revelou esta terça-feira a Agência da União Europeia para o Asilo (EUAA), atribuindo a diminuição às mudanças geopolíticas, como a queda do regime sírio.
No seu relatório anual sobre as tendências de asilo no ano passado, a EUAA dá conta de que os países da UE cerca de 822.000 pedidos de asilo durante o ano, o que representa uma diminuição de um quinto face a 2024 (-19%).
A agência indica em comunicado que "a redução dos pedidos de asilo esteve menos relacionada com mudanças nos países de origem e mais com alterações nas rotas migratórias" e mais com as alterações geopolíticas em tais territórios.
Citada pela nota, a diretora executiva da EUAA, Nina Gregori, aponta que "os pedidos de asilo diminuíram quase um terço desde o pico registado em 2023".
Ainda assim, a responsável alertou que os Estados-membros da UE "devem aproveitar o importante espaço de manobra proporcionado por esta redução para se concentrarem na implementação do Pacto [em Matéria de Migração e Asilo], ao mesmo tempo que se adaptam a mudanças internacionais que podem rapidamente inverter as recentes diminuições nos pedidos".
Em 2025, a descida global dos pedidos de asilo na UE foi impulsionada sobretudo pela forte redução dos pedidos de sírios (-72%), na sequência da queda do regime de Bashar al-Assad, com impacto sobretudo na Alemanha.
Os afegãos tornaram-se a nacionalidade com mais pedidos de asilo à UE (+33%), devido a um acórdão do Tribunal de Justiça da UE, que reconheceu como perseguição as restrições impostas às mulheres pelo regime talibã.
Contudo, 41% dos pedidos foram reapresentações, não correspondendo a novas chegadas, de acordo com a EUAA.
Os venezuelanos registaram um aumento significativo (+23%), atingindo um máximo histórico, concentrado maioritariamente em Espanha, influenciado por restrições migratórias nos Estados Unidos e na América Latina.
Por seu lado, os pedidos de bangladeshianos e turcos diminuíram.
No conjunto da UE, os pedidos continuam concentrados em Alemanha, França, Espanha, Itália e Grécia, que receberam 80% do total, já que, segundo a agência comunitária, algumas nacionalidades tendem a concentrar-se num único país de acolhimento.
Quanto às reformas realizadas no ano passado, a UE adotou uma lista comum de países de origem seguros, cujos nacionais representaram 16% dos pedidos em 2025, com taxas de reconhecimento entre 2% e 6%.
O novo pacto prevê procedimentos acelerados nas fronteiras para nacionalidades com taxa de reconhecimento inferior a 20%, situação que abrangeu cerca de metade dos pedidos em 2025.
Em vigor desde junho de 2024 e com aplicação plena prevista para junho de 2026, após um período transitório, o Pacto em Matéria de Migração e Asilo visa reforçar o controlo das fronteiras externas, acelerar os procedimentos de asilo e garantir maior solidariedade entre os Estados-membros.
O pacto introduz novas regras de responsabilidade e partilha de encargos entre países da UE.
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