Tensões estão a obrigar famílias a fugir para zonas com acesso limitado a serviços básicos, alertou a ONU.
As tensões e os confrontos recentes entre o Governo da Somália e o Estado do Sudoeste deslocaram cerca de 45.000 pessoas, obrigando famílias a fugir para zonas com acesso limitado a serviços básicos, alertou este domingo a ONU.
Num comunicado, o coordenador para a Somália da Agência das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), George Conway, sublinhou que entre os afetados estão "as pessoas mais vulneráveis -- 30% das quais já vivia em campos de deslocados -- que já enfrentavam as consequências agravadas da grave seca".
"Em particular, as mulheres, as crianças, os idosos e as pessoas com deficiência recentemente deslocadas enfrentam agora maiores riscos de proteção e um agravamento das condições humanitárias nos arredores da cidade de Baidoa", capital da região, acrescentou Conway.
A OCHA apelou a uma "desescalada imediata e à abstenção de qualquer ação que possa desencadear um conflito violento".
Sem medidas urgentes, alertou, a situação humanitária em Baidoa, que já acolhe cerca de 430.000 deslocados internos, "vai deteriorar-se ainda mais".
"Todas as partes -- acrescentou Conway -- devem agir de imediato para reduzir as tensões e criar as condições necessárias para que as famílias deslocadas regressem às suas casas de forma segura e digna".
O Estado do Sudoeste acusou o Governo federal de intensificar ações militares na região e alertou que esta escalada pode empurrar o país para um conflito.
Na semana passada, o Governo federal rejeitou a decisão das autoridades do Estado do Sudoeste de suspender relações com Mogadíscio, no contexto de divergências políticas com a Administração central.
No sábado, o presidente da região, Abdiaziz Hassan Mohamed Laftagareen, foi reeleito para um segundo mandato, apesar da oposição frontal do Governo somaliano, situação que ameaça agravar a crise.
O contencioso ocorre enquanto a Somália combate o grupo terrorista Al Shabab, que controla zonas rurais do centro e sul do país, e realiza ataques a países vizinhos, como o Quénia e a Etiópia.
Nesse sentido, a União Africana (UA) solicitou às autoridades somalianas o início imediato de um processo de diálogo para resolver a crise política que se instaurou esta semana no país sul-africano, um exemplo da fragmentação que se instala no país a partir de agora.
Nesse sentido, o presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, apelou à moderação na Somália e recomendou às partes que utilizem o Conselho Consultivo Nacional para recorrerem ao diálogo, "de forma construtiva para resolver as diferenças pacificamente".
"O presidente insta todas as partes a exercerem a máxima moderação e a evitarem ações que possam levar a uma escalada. A União Africana reafirma o seu total apoio aos esforços de paz, estabilidade e construção do Estado da Somália e está disposta a responder ao diálogo e à reconciliação", concluiu a comunicação.
A Somália vive em estado de conflito e caos desde 1991, ano em que foi derrubado o ditador Mohamed Siad Barre, deixando o país sem governo efetivo e nas mãos de milícias islâmicas e senhores da guerra.
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