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Pinta a cara de negro e usa lentes de contacto para entrar na faculdade e arranjar emprego

Lucas fingiu ser negro para conseguir entrar na faculdade e arranjar trabalho, mas já foi despedido.
Correio da Manhã 25 de Outubro de 2019 às 13:40
FOTO: Direitos Reservados

Lucas Soares Fontes, de 24 anos, foi despedido do cargo de técnico do seguro social do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), no Brasil, depois de fingir que era negro para conseguir o trabalho. O jovem é branco de olhos claros, mas no concurso público de 2016, apresentou-se de cara pintada de negro e com lentes de contacto castanhas.

O caso tornou-se público após uma reportagem do canal brasileiro TV Globo, em junho deste ano. O jovem natural de Valença, do estado do Rio de Janeiro, também está acusado de entrar na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Juiz de Fora pelo sistema de quotas raciais – um mecanismo do estado brasileiro que visa a compensar pessoas com um tom de pele mais escuro pelos séculos de discriminação.

Após a licenciatura, Lucas foi aprovado no concurso do INSS – com a cara alterada - e começou a trabalhar em 2017. De acordo o instituto, no momento que tiveram conhecimento da fraude, o INSS abriu uma investigação interna, tendo acabado por ser deliberada "a exclusão do candidato do concurso".

Para conseguir entrar no concurso, os candidatos que se auto-declarassem negros tinham de enviar uma foto a comprovar que tinham as características. Um ano e meio depois após a sua colocação, o INSS recebeu uma denúncia – da rapariga branca que tinha ficado em segundo no concurso – de que Lucas tinha cometido uma fraude, segundo a TSF.

Lucas foi acusado de crime de falsificação ideológica, que prevê pena de um a cinco anos de prisão. Numa entrevista à TV Globo, o jovem defendeu-se e desmentiu as acusações de fraude. Também afirmou que o Ministério Público Federal arquivou o processo.

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