Estudo destaca o papel do jornalista humano na verificação de factos, na responsabilidade e na transparência que está comprometido pela utilização da IA.
A crescente utilização de pivôs feitos com Inteligência Artificial (IA) levanta questões sobre a credibilidade da informação e os valores éticos do jornalismo, podendo contribuir para potenciar a desinformação, revela um estudo académico.
O estudo, intitulado "Notícias apresentadas por IA: A ascensão dos pivôs artificiais no jornalismo mundial", revela que os pivôs artificiais "têm uma aparência e voz semelhantes aos humanos e, nalguns casos, são utilizados como imitação de apresentadores reconhecidos pelo público".
A utilização desta tecnologia levanta preocupações sobre a credibilidade da informação, a transparência na comunicação com o público, a potencial perda de emprego entre os jornalistas que desempenham apenas a função de pivô, bem como a objetividade das notícias veiculadas por IA e os riscos de manipulação da informação.
A nova ferramenta "provoca questões mais profundas relacionadas com a transparência, a credibilidade, a responsabilidade, a confiança e a própria natureza do que se entende por prática jornalística", referem os investigadores.
"A opacidade e a falta de clareza sobre a artificialidade destes pivôs gerados por IA compromete a autenticidade, a confiança da audiência nos media e a credibilidade do jornalismo enquanto instituição", lê-se no documento.
Em causa está a responsabilidade e perceção pública, que se tornam cada vez mais diluídas entre jornalistas e programadores e dificultam a atribuição de responsabilidades em caso de erro ou desinformação.
O estudo destaca que o papel do jornalista humano na verificação de factos, na responsabilidade e na transparência está comprometido pela utilização da IA.
Apesar disso, a ferramenta de IA irá permitir melhorar o processo noticioso em todas as suas fases, pois o uso de pivôs artificiais pode ser visto como uma inovação na distribuição de notícias, uma vez que oferece novas experiências de contacto com notícias aos espetadores, criando uma vantagem competitiva relativamente a outros produtores de conteúdo.
"No atual cenário, verifica-se que várias tarefas anteriormente desempenhadas por jornalistas passam a ser auxiliadas por sistemas de IA, contribuindo para uma transformação dos métodos de recolha, processamento, produção e disseminação de informações", lê-se no documento.
Apesar de já existirem inúmeros casos de pivôs virtuais criados por computação gráfica, o uso da IA para a criação de pivôs artificiais foi registado pela primeira vez em 2018, quando a agência de notícias chinesa Xinhua, em colaboração com a empresa tecnológica Sogou, revelou ter criado o primeiro pivô artificial do mundo.
De acordo com os autores do estudo, ainda não foram registados casos de uso desta tecnologia em meios de comunicação de língua portuguesa.
O estudo "Notícias apresentadas por IA: A ascensão dos pivôs artificiais no jornalismo mundial" foi desenvolvido por académicos e investigadores da Universidade da Beira Interior e publicado numa revista científica espanhola.
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