Acordo "responde às preocupações que as pessoas tinham", disse Rishi Sunak.
O primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, vai a Belfast esta terça-feira para promover o acordo alcançado com a União Europeia (UE) sobre o estatuto comercial pós-Brexit da Irlanda do Norte, que considera "um enorme passo em frente".
Em entrevista à BBC, Sunak disse acreditar que o acordo "responde às preocupações que as pessoas tinham, é um enorme passo em frente e é muito positivo para as pessoas da Irlanda do Norte".
"Uma das principais conquistas", vincou, "é a abolição de qualquer noção de fronteira do Mar da Irlanda, de modo que quando as mercadorias se deslocam do Reino Unido para a Irlanda do Norte, passarão a circular sem burocracia aduaneira, sem controlos de rotina".
Sunak garantiu que isto permite que os supermercados possam vender na Irlanda do Norte os mesmos produtos que vendem no resto do país, o que antes não era permitido, nomeadamente no caso de carnes refrigeradas.
"Estou confiante que o acordo-quadro de Windsor responde a essas preocupações, mas também respeito que todos, incluindo os representantes unionistas de todos os partidos precisarão de tempo e espaço para considerar os detalhes", adiantou.
Os unionistas, defensores do estatuto da Irlanda do Norte enquanto território britânico, consideram o Protocolo da Irlanda do Norte, parte do Acordo de Saída do Reino Unido da União Europeia (UE), como uma ameaça à relação com o resto do Reino Unido.
Este texto foi a solução encontrada para evitar uma fronteira física terrestre entre a província britânica e a República da Irlanda, país membros da UE, de forma a respeitar os acordos de paz de 1998.
O Protocolo deixa a Irlanda do Norte alinhada com as regras do mercado único europeu e impõe controlos aduaneiros sobre os bens que chegam do resto do resto do Reino Unido.
Em protesto, o Partido Democrata Unionista (DUP) recusou viabilizar a formação de um novo governo de partilha do poder com o Sinn Féin, que ganhou as eleições regionais em maio de 2022.
O líder do partido, Jeffrey Donaldson, já disse que o DUP vai "levar o seu tempo" para analisar em pormenor o texto publicado na segunda-feira e que não quer ser apressado a tomar uma decisão sobre e vai apoiar ou opor-se ao acordo.
"Eu disse que foram feitos progressos. Continuamos a ter algumas preocupações. Vamos examinar o texto jurídico, vamos analisar tudo isto e chegar a uma decisão", afirmou também à BBC.
Donaldson garantiu que os dirigentes são "razoáveis", mas querem "assegurar que o que o primeiro-ministro disse corresponde ao que está realmente no acordo".
Sunak e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentaram na segunda-feira em Windsor um acordo-quadro para reformar o protocolo negociado em 2019 pelo antigo primeiro-ministro Boris Johnson e que implica burocracia adicional e causou tensões políticas na região.
O Protocolo revisto elimina os controlos aduaneiros para as mercadorias que circulam apenas entre o Reino Unido e a Irlanda do Norte, mas mantém-nos para aquelas que vão para a República da Irlanda.
O texto foi bem recebido tanto pelos deputados Conservadores como pela oposição parlamentar, assim como pelos principais sectores económicos.
Sunak reúne-se esta tarde com o grupo parlamentar para tentar convencer os eurocéticos dentro do partido, depois de ter impressionado a imprensa conservadora.
"Será que Rishi fez o impossível?" pergunta o "Daily Mail", enquanto o editorial do tablóide "The Sun" declara, "A guerra das salsichas acabou", referindo-se à proibição do protocolo anterior de importação de produtos de carne fresca processada do Reino Unido para a Irlanda do Norte.
"Olha quem finalmente concretizou o Brexit, e não foste tu, Boris", proclama o "The Independent", enquanto "The Times" elogia um "ponto de viragem".
O "The Daily Telegraph" admite que "o primeiro-ministro jogou bem uma mão difícil" e afirma que segunda-feira "foi o seu melhor dia até agora".
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