Megaoperação está a acontecer em 19 dos 27 estados brasileiros.
A Polícia Federal (PF) brasileira desencadeou esta quinta-feira uma gigantesca operação contra mais de 200 acusados de participação nos violentos ataques ao Congresso, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao palácio presidencial, todos em Brasília, no dia 8 de Janeiro de 2023 e que se encontravam em liberdade com autorização judicial mas violaram as condições impostas pela justiça. A megacaça ao homem está a acontecer em 19 dos 27 estados brasileiros, e os alvos são 208 investigados ou já condenados pelos ataques, que tentavam derrubar o presidente Lula da Silva, que tinha tomado posse uma semana antes, e forçar o regresso de Jair Bolsonaro ao poder.
Até às 11h30 locais, 15h30 em Lisboa, a PF tinha conseguido prender 41 fugitivos, e a operação iria continuar ao longo do dia. Dos 208 que tiveram mandados de prisão preventiva expedidos pelo STF, 107 já eram considerados fugitivos, pois não cumpriram as medidas cautelares anteriores, como o uso obrigatório de pulseira eletrónica, obrigatoriedade de comunicarem pretensão de mudança de morada e de se apresentarem periodicamente em sede policial.
A Polícia Federal já sabe que pelo menos 60 dos alvos já não estão no Brasil, tendo fugido para países vizinhos para escaparem às condenações a que já foram sentenciados ou às que temem vir a ser. A maior parte desses estão na Argentina, hoje presidida pelo extremista de direita Javier Milei, e há negociações entre políticos aliados dele e do ex-presidente Jair Bolsonaro para que seja concedido asilo político a esses fugitivos.
Na semana passada, um dos filhos de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, esteve em Buenos Aires com outros políticos brasileiros de extrema-direita para pedir a Milei e ao parlamento daquele país para concederem refúgio seguro aos que foram para a Argentina. Políticos aliados de Javier Milei já estão a articular um projeto de lei que possibilite a permanência desses fugitivos brasileiros na Argentina em condições especiais.
Os agora caçados pela PF fazem parte dos milhares de radicais aliados de Jair Bolsonaro que em 8 de Janeiro do ano passado marcharam sobre as sedes dos três poderes, executivo, legislativo e judiciário, que invadiram e depredaram brutalmente. A intenção era criar um caos social e político no país e obrigar as Forças Armadas a intervir e tomar o poder para supostamente restabelecer a ordem, mas com o intuito, nada velado, de permitir o regresso ao poder, agora como ditador, de Jair Bolsonaro, que em Outubro de 2022 tinha fracassado na sua tentativa de reeleição, perdendo as presidenciais desse ano para Lula.
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