Agentes invadiram a propriedade com mandados de busca e apreensão.
A Polícia Civil (Judiciária) de Brasília, capital federal brasileira, fez ao amanhecer deste domingo uma operação contra uma espécie de "bunker" que abriga grupos ultra radicais de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. O "bunker" funciona numa propriedade rural na região de Arniqueira, a 22 km da Esplanada dos Ministérios, centro do poder em Brasília, onde costumam ocorrer manifestações políticas a favor e contra o presidente brasileiro.
Dezenas de agentes de uma força de elite da polícia invadiram a propriedade logo às primeiras horas da manhã munidos com mandados de busca e apreensão. Na propriedade há duas casas e em volta de uma delas estavam montadas tendas de campismo, que provavelmente abrigam membros dos grupos radicais bolsonaristas alvos da operação.
No local, onde estavam duas pessoas que não foram presas, a polícia apreendeu documentos, nomeadamente com planos para a deflagração de novas acções pelos grupos extremistas, telemóveis, materiais como faixas e cartazes, um facão e grande quantidade de foguetes de fogos de artifício. Foguetes desse tipo foram usados há uma semana para um ataque levado a cabo por um desses grupos extremistas, o "300 do Brasil", contra a sede do Supremo Tribunal Federal, um dos alvos mais constantes dos apoiantes de Jair Bolsonaro.
Além desse grupo, a propriedade abriga outras duas entidades de extrema-direita, o "Patriotas" e o "QG Rural". Para o Ministério Público, que investiga grupos extremistas de apoio ao presidente, ao menos o "300 do Brasil" é considerado uma milícia armada, pois os seus membros fazem questão de exibir armas de fogo em publicações na internet, mas nesta manhã nenhuma arma foi encontrada no local, onde, à exceção das duas pessoas que guardavam a propriedade, não estava nennum dos militantes extremistas, que já tinham ido para mais uma manifestação a favor de Jair Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios, como tem acontecido todos os domingos.
A líder do "300 do Brasil", a ativista Sara Giromini, que se apresenta como Sara Winter, foi presa há uma semana por ordem do Supremo Tribunal Federal depois de uma marcha contra esta instituição na qual os manifestantes usavam túnicas e capuz semelhantes às do grupo supremacista branco norte-americano Ku Klux Klan e empunhavam tochas acesas com as quais ameaçavam ir incendiar o tribunal, o que não aconteceu. Ao longo de toda a semana, a Polícia Federal, por ordem do Supremo Tribunal Federal, desencadeou várias ações contra esses grupos extremistas e contra parlamentares da base do governo e empresários que os apoiam, e que tiveram os seus sigilos bancários abertos pela justiça por suspeita de financiarem os grupos radicais, que pedem uma intervenção militar que feche o Congresso e o supremo e permita a Jair Bolsonaro governar indefinidamente e com poderes absolutos.
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