Agentes levaram grande quantidade de documentos e vários computadores.
A Polícia Federal brasileira invadiu nesta quinta-feira a sede, em São Paulo, do Partido dos Trabalhadores, da presidente afastada Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula da Silva, numa ação autorizada pela justiça através de um mandado de busca e apreensão.
A ação, denominada "Custo Brasil", também prendeu em outras regiões do país nomes importantes ligados ao PT, entre eles o ex-ministro do Planeamento nos governos de Lula e das Comunicações no governo de Dilma, Paulo Bernardo, e o atual secretário de Gestão da cidade de São Paulo, Walter Correia.
Os agentes federais entraram na sede do partido, no centro da capital paulista, ao amanhecer, e reviraram várias salas, particularmente as ligadas à tesouraria. Ao saírem, os agentes levaram grande quantidade de documentos e pelo menos quatro computadores.
Paulo Bernardo, um dos nomes mais poderosos nos governos do Partido dos Trabalhadores, foi preso em Brasília, no apartamento oficial da mulher, a senadora Gleise Hoffmann, ex-ministra da Casa Civil de Dilma Rousseff e uma das mais aguerridas defensoras da presidente afastada no julgamento do processo de destituição da ex-chefe de Estado que tramita em fase final no Senado. A residência particular de Bernardo e Gleise, em Curitiba, também foi vasculhada por agentes federais.
De acordo com a Polícia Federal, Paulo Bernardo, quando era ministro do Planeamento, direcionou uma concessão a uma empresa de informática para desviar recursos através de fraude em empréstimos pessoais a funcionários públicos. A cada parcela do empréstimo autorizado para desconto em folha de pagamento, a empresa ficava com 18 cêntimos a mais do que o permitido legalmente, o que, dito assim, parece algo irrisório, mas que, segundo a investigação, de 2010 a 2015 arrecadou mais de 25 milhões de euros, parte dos quais terão sido entregues a Paulo Bernardo.
Entre os alvos dos mais de 60 mandados cumpridos nesta quinta-feira estiveram outros nomes sonantes ligados ao PT, entre eles o ex-ministro da Previdência de Dilma, Carlos Gabas, que também teve a residência revistada, e o ex-tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto. Ele já está preso desde o ano passado, por envolvimento no escândalo de desvios na Petrobrás que, tal como o esquema que motivou a operação de agora, eram destinados em grande parte a um "saco azul" do partido de Lula e de Dilma.
A nova operação da PF apanhou o Partido dos Trabalhadores completamente de surpresa, pois depois de algumas semanas em que os alvos de denúncias de corrupção e de ações policiais eram pessoas ligadas ao PMDB, o partido do presidente interino Michel Temer, os líderes do PT acreditavam que nada mais seria feito contra eles. Esta ação pode ter reflexos também no processo contra Dilma, pois tanto Gleise quanto os outros principais defensores da presidente afastada ficaram bastante constrangidos e politicamente enfraquecidos.
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