Época das grandes navegações portuguesas foi referência do desfile da escola de samba Unidos da Tijuca.
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Portugal desfilou majestosamente no final da madrugada desta segunda-feira pela passarela da Avenida Sapucaí, no Rio de Janeiro, maior templo brasileiro dos desfiles de escolas de samba, que em 2024 completa 40 anos, embalado pelo samba e pelo fado entoados pelos membros da Unidos Da Tijuca e por muita gente nas arquibancadas. A escola, uma das mais tradicionais dos desfiles de Carnaval, homenageou o país desenvolvendo no Sambódromo da Sapucaí um vibrante e luxuoso enredo intitulado "Portugal, um conto de fados".
Enormes carros alegóricos, com profusão de cores e riqueza de pormenores, a mestria dos artesãos, carpinteiros e outros profissionais que os produziram e a entrega dos passistas no desempenho dos seus personagens, reviveram a época das grandes navegações portuguesas, das descobertas e da coragem que os navegadores tinham de ter para enfrentarem o imenso e desconhecido mar que parecia não ter fim e onde pulsavam, além de ondas gigantescas, assustadoras lendas, também retratadas no desfile. Duas delas tiveram um colorido e realístico destaque no desfile, a do monstro Adamastor, que supostamente atraía e destruía os navios que se atreviam a aproximar-se do então chamado 'Cabo das Tormentas', depois rebatizado 'Cabo da Boa Esperança', e a do 'Dragão de Quatro Cabeças', que aterrorizava os marinheiros que se atreviam a fazer a viagem a caminho da China.
Durante mais de uma hora, a Escola de Samba Unidos da Tijuca, fundada em 1931 e que já foi por quatro vezes campeã dos desfiles de Carnaval do Rio de Janeiro, reviveu a epopeia vivida pelos antepassados portugueses nos mares e a colonização portuguesa no mundo. Nesse ponto, a escola fez jus à letra do samba e criticou excessos atribuídos aos colonizadores em alguns episódios que hoje nos parecem condenáveis mas eram prática comum a todos os países colonizadores na época em que ocorreram, cantando "Portugal, das glórias que revelam o passado/Ao monstro que sangrou escravizados/Eveio aportar no mar/Que brilha sob o céu de Vera Cruz (como o Brasil era conhecido)."
A Rainha da Bateria (o numeroso grupo de ritmistas) foi Lexa, uma das mais populares cantoras do momento, que usou uma fantasia com mais de 25 mil cristais produzida em tempo recorde pelo figurinista Maykon Ferrero, representando a última rainha moura, Aragonta, também chamada Rainha da Diversidade. A cantora avaliou como "uma benção" ter podido participar de um momento tão emocionante e disse que se entregou totalmente à interpretação do papel de Aragonta.
Com a Avenida Sapucaí tomada pelas cores da bandeira e pelo azul-pavão e amarelo ouro, as cores oficiais da Unidos da Tijuca, a escola incluiu alguns passos do nosso Vira em certos momentos da evolução, em mais uma homenagem ao nosso país. Da mesma forma, a Tijuca também se atreveu a incluir alguns acordes de fado no seu samba, fazendo emocionar e, literalmente, arrepiar o público, principalmente portugueses e os descendentes que têm uma fortíssima presença na região da Tijuca e por todo o Rio de Janeiro, e todos que amam Portugal mesmo sem o conhecer.
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