Governo da Venezuela denunciou este sábado uma "gravíssima agressão militar" dos EUA. Trump anunciou que Nicolás Maduro e a esposa foram capturados e levados para fora do país.
Portugueses na Venezuela temem violência e agravamento da crise humanitária após explosões
Voos rasantes de aviões e explosões em várias regiões da capital venezuelana sobressaltaram este sábado a noite da população, incluindo portugueses, intensificando os temores de um agravamento de um conflito com os Estados Unidos para uma guerra.
Portugueses contactados pela Lusa também disseram recear que ocorram situações de violência e que se agrave a situação de crise humanitária na Venezuela.
"Nas últimas horas aviões norte-americanos foram vistos em várias regiões do país, como Mérida, Miranda, Falcón e Caracas. A simples presença, o ruido dos aviões causa preocupação. Mas hoje fomos acordados com explosões em pelo menos sete lugares da capital, entre eles a base aérea de La Carlota e o Forte de Tiúna, a principal base militar de Caracas", explicou um português à agência Lusa.
Passavam pouco das 02:00 horas (06:00 horas em Lisboa), quando José Carlos Freitas foi acordado pelo voo a baixa altitude de aviões norte-americanos. Ficou paralisado durante alguns momentos e depois tentou ver o que as redes sociais diziam, até que ouviu várias explosões.
"Reuni toda a família - mulher, filho e mãe - para todos juntos esperarmos para ver como as coisas evoluem", disse, precisando que ligou também para familiares que estão fora do país, para alertá-los sobre o que aconteceu.
Valdir Freitas também foi acordado pelo ruído dos aviões e procurou obter mais informações sobre o que se estava a passar. O receio principal, admitiu, era a possibilidade de virem a ocorrer novas explosões.
"É muito difícil e impressionante ouvir os aviões passar, quando sabemos que o que acontece não é um cenário de filme, que qualquer situação pode desencadear danos a vários níveis", comentou.
Ainda em Caracas, a venezuelana Linnet Garcia seguiu o que acontecia a partir da janela do seu apartamento, nas proximidades do centro da capital. Inicialmente chegou a pensar que algo tinha acontecido perto do palácio presidencial de Miraflores.
"Até agora, o centro, as zonas perto do palácio estão bem", referiu, precisando que em alguns bairros de Caracas várias pessoas abandonaram as casas e foram para as ruas.
"O conflito chegou a um ponto em que não há marcha atrás, em que é difícil parar. Nunca devíamos ter chegado a este ponto. Que Deus nos guarde de possíveis situações de violência", disse.
Mayra Martins entrou em 2026 com receios de um possível agravamento da crise política, económica e social no país.
"Sempre nos ensinaram que devemos ser positivos, acreditar em melhores tempos, mas desde há anos que nos habituamos a viver em crescentes desafios (...). Este ano não há força para a esperança. O mundo está complicado, há vários conflitos e a Venezuela é um desses países", explicou à Agência Lusa.
José Alfonso Araújo, 55 anos, comerciante em Caracas, tem estado preocupado com a repetição de situações do passado, nomeadamente quando conflitos dificultaram a distribuição de combustível.
Este sábado, afirma que as grandes cidades do país têm gasolina, mas acredita que o abastecimento vai ser controlado, restringido ou até mesmo escasseie.
O Governo da Venezuela denunciou este sábado uma "gravíssima agressão militar", após explosões na capital durante a noite, e o Presidente Nicolás Maduro decretou estado de exceção.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou os ataques aéreos dentro do território venezuelano há alguns dias, revelaram dois funcionários norte-americanos à CBS News.
Trump, que enviou um destacamento militar sem precedentes para as águas das Caraíbas, já tinha colocado a hipótese de ataques terrestres contra a Venezuela e afirmou que os dias do homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, estavam contados.
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