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Presidente do Paraguai admite "sabor amargo" com ausência de Lula na assinatura do acordo UE-Mercosul

Presidente brasileiro foi o grande ausente deste sábado, mas na véspera, o chefe de Estado encontrou-se no Rio de Janeiro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

17 de janeiro de 2026 às 19:57

O Presidente do Paraguai afirmou este sábado que a ausência do seu homólogo brasileiro, Lula da Silva, na assinatura do histórico acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul deixou "um sabor amargo".

"Deixa um sabor amargo", disse Santiago Peña aos jornalistas durante uma conferência de imprensa no Banco Central do Paraguai, local da assinatura do acordo.

"Seria injusto não reconhecer a liderança que o Presidente Lula teve na condução das negociações", acrescentou o chefe de Estado paraguaio que lidera o bloco do Mercosul no primeiro semestre do ano.

Lula da Silva foi o grande ausente desta jornada em Assunção, que viu nascer oficialmente o acordo que cria o maior mercado do mundo, com mais de 700 milhões de pessoas, e que, ao mesmo tempo, marca uma via alternativa às tendências de protecionismo global. 

Este sábado, o Presidente do Paraguai recordou "o impulso e a energia" de Lula da Silva para levar o acordo avante, embora tenha ressalvado que atuou "por incumbência dos países do Mercosul". 

"Mas este acordo não estaria a ser assinado em Assunção se não fosse o trabalho e a dedicação do Presidente Lula", insistiu. 

Na véspera, o chefe de Estado brasileiro manteve um encontro no Rio de Janeiro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. 

Peña, que qualificou Lula como seu amigo, salientou que até à última hora tentou convencê-lo a viajar para Assunção. 

"Tenho uma relação pessoal muito boa com ele e fizemos todas as tentativas para que pudesse estar presente, mas, por motivos de agenda, infelizmente não foi possível", acrescentou, referindo ainda que Lula da Silva está ocupado com atividades de campanha no seu país. 

Lula da Silva foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que sublinhou durante o seu discurso a importância deste acordo: "Num cenário internacional marcado por incertezas e tensões, este acordo envia uma mensagem clara e positiva ao mundo". 

"Acreditamos na cooperação, no diálogo e em soluções construídas de forma coletiva", disse.  

Perante a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, o acordo foi assinado pelos responsáveis dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e pelo comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic. 

O acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores e que, juntos, representam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 22 biliões de dólares (19 biliões de euros), segundo dados da Comissão Europeia. 

A cerimónia contou com a presença, como testemunhas de honra, de três dos quatro presidentes dos países que compõem o Mercado Comum do Sul (Mercosul): Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai). 

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