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Centro de Barcelona transformado em campo de batalha. 77 feridos em dia de greve geral na Catalunha

Protestos foram protagonizados por 4.500 radicais, 500 deles considerados "muito violentos".
SÁBADO, Correio da Manhã e Lusa 18 de Outubro de 2019 às 20:11
Protestos em dia de greve geral
Protestos em dia de greve geral
Milhares de pessoas desfilaram em Barcelona de forma pacífica para contestar, pelo quarto dia seguido, a sentença que condenou nove líderes separatistas a penas de cadeia
Carga policial em manifestação anti-independência de extrema-direita em Barcelona
Carga policial em manifestação anti-independência de extrema-direita em Barcelona
Carga policial em manifestação anti-independência de extrema-direita em Barcelona
Carga policial em manifestação anti-independência de extrema-direita em Barcelona
Polícia em confrontos com manifestantes nas ruas de Barcelona
Protestos em dia de greve geral
Protestos em dia de greve geral
Milhares de pessoas desfilaram em Barcelona de forma pacífica para contestar, pelo quarto dia seguido, a sentença que condenou nove líderes separatistas a penas de cadeia
Carga policial em manifestação anti-independência de extrema-direita em Barcelona
Carga policial em manifestação anti-independência de extrema-direita em Barcelona
Carga policial em manifestação anti-independência de extrema-direita em Barcelona
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Polícia em confrontos com manifestantes nas ruas de Barcelona
Protestos em dia de greve geral
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Milhares de pessoas desfilaram em Barcelona de forma pacífica para contestar, pelo quarto dia seguido, a sentença que condenou nove líderes separatistas a penas de cadeia
Carga policial em manifestação anti-independência de extrema-direita em Barcelona
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Carga policial em manifestação anti-independência de extrema-direita em Barcelona
Carga policial em manifestação anti-independência de extrema-direita em Barcelona
Polícia em confrontos com manifestantes nas ruas de Barcelona
Centenas de milhares de pessoas vindas de toda a Catalunha participaram, esta sexta-feira, no centro de Barcelona numa grande manifestação convocada pelos sindicatos independentistas contra a condenação dos políticos envolvidos na tentativa separatista de 2017.

A concentração - que segundo a polícia juntou 525 mil pessoas - ocorreu no Passeio de Grácia, no centro de Barcelona, num dia de "greve geral" na Catalunha convocada por esses sindicatos, a que se juntaram seis "Marchas pela Liberdade" saídas na terça-feira de diferentes cidades da comunidade autónoma. O ambiente tranquilo em que decorreu acabou por ficar em segundo plano quando um outro protesto ganhou peso e contornos de violência que levaram a polícia a usar pela primeira vez o camião com canhões de água adquirido em 1994. Foram mais de cinco horas de confrontos muito violentos, possivelmente os piores desde dia 14. 

Paralelamente a este protesto pacífico, uma manifestação de estudantes e elementos anti-sistema radicais entrou em confronto com as autoridades na Via Laietana, que passou automaticamente a ser o local de maior tensão do quinto dia de protestos na capital da região autónoma espanhola.

Inicialmente, o cenário desta sexta-feira, neste local, não foi muito distinto do que se tem vivido nos últimos dias: cargas policiais com recurso a gás lacrimógénio e balas de borracha, caixotes dos lixo queimados, barricadas e destruição de mobiliário urbano. 

Com o avançar das horas e as intervenções policiais, os radicais acabaram por se espalhar por outros zonas da capital catalã, como a Praça Urquinaona, no centro de Barcelona, que ficou completamente irreconhecível. A violência dos momentos vividos levou, inclusivamente, os Mossos d'Esquadra a usarem pela primeira vez o camião com canhões de água adquirido em 1994. Só assim as autoridades conseguiram ir abrindo caminho para recuperar o controlo de grande parte da praça. 

Segundo o La Vanguardia, os protestos envolveram cerca de 4.500 manifestantes, sendo que 500 são considerados elementos "muito violentos". As instalações policiais foram atacadas por grupos de jovens, que arremessam ovos e garrafas contra os edifícios. A imprensa espanhola avança que, esta sexta-feira, em toda a Catalunha, foram detidas 17 pessoas.

Os serviços de emergência atenderam pelo menos 77 pessoas, sendo que 52 dos feridos se registaram em Barcelona - 15 foram transportados para o hospital. Um agente da autoridade terá sido atingido com gravidade, ficando inconsciente, e teve de receber cuidados médicos. Há indicação que outro polícia foi ferido no mesmo incidente. O ministro do Interior em funções, Fernando Grande-Marlaska, anunciou que 207 polícias ficaram feridos deste o início dos distúrbios.

El Mundo avançou também que duas equipas de jornalistas da TVE foram agredidos por radicais. O fotojornalista do El País Albert García foi detido por "agredir um agente". Porém, testemunhas ouvidas pela Cadena Ser, dizem que o profissional colidiu acidentalmente com um agente, tendo sido automaticamente detido por agressão.

De acordo com a imprensa espanhola, ao longo do dia, foram cortadas pelo menos 20 estradas, incluindo o acesso à fronteira com França por La Jonquera (Girona), e as autoridades também tiveram que resolver problemas em algumas estações de comboios. A greve reduziu o número de composições em serviço e tornou-se difícil escoar os manifestantes que decidiram regressar a casa. 

Como forma de protesto, os Comités de Defesa da República (CDR), parte ativa na marcação dos protestos e atividades de desobediência civil, convocaram um acampamento para a Gran Via, sem data prevista de acabar. Dezenas de pessoas responderam à convocatória, montando as tendas no local. "Viemos para ficar e parar tudo. Revolta popular", disseram elementos independentistas dos, citados pelo La Vanguardia.

Em Girona, avança o El Mundo, os CDR juntaram cerca de 6 mil pessoas, cujo objetivo era evitar que os detidos pelas desordens de quinta-feira entrassem na prisão. A meio da noite, surgiram os primeiros sinais de problemas: a polícia teve mesmo que disparar balas de borracha para acabar com os confrontos entre grupos separatistas e nacionalistas. Pelo menos nove pessoas acabaram detidas, nesta zona. 

As manifestações de solidariedade com os independentistas também chegaram ao País Basco: em Bilbao, a Ertzaintza deteve seis jovens e identificou outra dezena, depois do grupo de manifestantes ter lançado petardos contra as autoridades e destruídos contentores do lixo. Os manifestantes cortaram uma das vias mais usadas para entrar e sair da capital da Biscaia. 

Esta sexta-feira, foi anunciado que o Tribunal Central de Instrução da Audiência Nacional espanhola ordenou o encerramento das páginas na Internet do mopvimento Tsunami Democràtic, que vai ser investigado por um alegado crime de terrorismo. A decisão foi tomada pelo juiz Manuel García Castellón, o mesmo que ordenou a prisão de sete elementos radicais dos Comités de Defesa da República, acusados de preparar ataques com explosivos artesanais. O Tsunami Democràtic é um grupo visto como principal organizador das manifestações dos últimos dias.

Os movimentos de protesto começaram na segunda-feira, depois ser conhecida a sentença contra os principais políticos catalães responsáveis pela tentativa de independência em outubro de 2017. Os juízes decidiram condenar nove deles a penas até 13 anos de prisão por delitos de sedição e peculato.

O ex-vice-presidente da Generalitat, Oriol Junqueras, foi condenado, por unanimidade, a 13 anos de cadeia por delito de sedição e má gestão de fundos públicos. Foram condenados a 12 anos de cadeia os ex-conselheiros da Jordi Turull (ex-conselheiro da Presidência), Raul Romeva (ex-conselheiro do Trabalho) e Dolors Bassa (ex-conselheira para as Relações Exteriores) por delitos de sedição e má gestão. O antigo titular do cargo de conselheiro do Interior, Joaquim Forn e Josep Rull (Território) foram condenados a 10 anos de cadeia. Jordi Cuixart, responsável pela instituição Òmnium Cultural, foi condenado a nove anos de prisão por sedição.

Os factos reportam-se a 2017 sendo que os magistrados entendem que os acontecimentos de setembro e outubro do mesmo ano constituíram crime de sedição visto que os condenados mobilizaram os cidadãos num "levantamento público e tumultuoso" para impedir a aplicação direta das leis e obstruir o comprimento das decisões judiciais.

"Os acontecimentos do dia 1 de outubro" (2017)" não foram apenas uma manifestação ou um protesto. Foi um levantamento tumultuoso provocado pelos acusados", referem os juízes do Supremo espanhol.

A Catalunha é a região mais rica de Espanha e desde 2015 que o parlamento regional tem uma maioria de deputados independentistas que defendem a separação da região de Espanha.    

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