Ilha das Caraíbas está a sofrer as consequências da suspensão das entregas de petróleo da Venezuela.
A Rússia assegurou esta sexta-feira que vai dar ajuda material a Cuba na sequência do embargo energético imposto pelos Estados Unidos e que Moscovo descreveu como uma "pressão demasiado forte" sobre a ilha.
"Estamos, sem dúvida, solidários com Cuba. Vamos ajudá-los, inclusive materialmente. Isso já está a acontecer", disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Ryabkov, em declarações à agência de notícias russa TASS.
A ilha das Caraíbas está a sofrer as consequências da suspensão das entregas de petróleo da Venezuela, ordenada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelas forças armadas norte-americanas no início de janeiro.
Além disso, Trump assinou, no início do ano, uma ordem executiva para impor tarifas a países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba, enquadrando a situação em Havana como uma "ameaça extraordinária" para a segurança nacional e política externa dos Estados Unidos.
Em resposta à pressão de Washington, o Governo cubano anunciou medidas de emergência, incluindo uma semana de trabalho de quatro dias para as empresas estatais e restrições à venda de combustível.
O país enfrenta ainda interrupções no fornecimento de água potável, assistência médica, alimentos e outros bens essenciais nas zonas que foram mais atingidas pelo furacão Melissa, em outubro passado.
Segundo Ryabkov, além da Rússia, outros países amigos de Havana, incluindo os dos BRICS (grupo que inclui o Brasil, a Índia, a China a África do Sul, o Irão, a Arábia Saudita, o Egito, os Emirados Árabes Unidos, a Etiópia e a Indonésia) também estão a "fazer o máximo possível".
O diplomata acusou os Estados Unidos de exercerem "uma pressão demasiado forte" sobre o regime cubano, o que obrigou a Rússia e o Canadá, entre outros países, a repatriar milhares de turistas.
"No âmbito da Doutrina Monroe [a América para os americanos] atualizada, Washington não hesitará em utilizar qualquer método ilegal que viole os fundamentos do direito internacional", declarou.
O porta-voz da presidência russa afirmou na quinta-feira que o Kremlin não deseja uma escalada de tensões com a Casa Branca em relação aos carregamentos de petróleo russo para Cuba.
Dmitri Peskov estava a responder a uma pergunta sobre se Moscovo teme a imposição de tarifas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
Fontes da embaixada da Rússia em Havana tinham avançado na quarta-feira, ao jornal russo Izvestia, que Moscovo "estava a preparar a entrega" a Havana de um carregamento de petróleo e derivados "como ajuda humanitária".
A Rússia enviou pela última vez petróleo bruto para a ilha --- 100 mil toneladas --- em fevereiro de 2025, por ordem do Presidente russo, Vladimir Putin.
Nos últimos tempos, Moscovo -- que apoiou desde o início o regime cubano - aconselhou os seus cidadãos a não viajarem para a ilha, apesar de afastar a possibilidade de uma repetição do que aconteceu ao líder venezuelano Nicolás Maduro, que foi deposto pelos EUA através de uma ação militar.
No domingo, o Governo cubano alertou as companhias aéreas internacionais que operam na ilha que o país ia ficar sem combustível de aviação devido ao embargo petrolífero dos EUA.
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