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Sete líderes europeus assinam declaração a defender autonomia da Gronelândia

Donald Trump reiterou o objetivo de anexar a região aos EUA.

06 de janeiro de 2026 às 13:33

Os líderes de sete países europeus - França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca - assinaram esta terça-feira uma declaração conjunta a defender a autonomia da Gronelândia. No documento, marcam a posição de que a Gronelândia pertence à Dinamarca, avança o Guardian.

Embora a declaração não se refira diretamente aos EUA, o anúncio surge depois das últimas pressões do governo norte-americano, liderado por Donald Trump, sobre a eventualidade dos EUA anexarem este território.

"Cabe à Dinamarca e à Gronelândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Gronelândia", lê-se na declaração citada pelo The Guardian. Numa declaração conjunta, sublinham que a ilha ártica, estratégica e rica em minerais, "pertence ao seu povo" e apoiam a posição da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que exigiu aos Estados Unidos (EUA) que parem com as ameaças "contra um aliado histórico".

Donald Trump reiterou o objetivo de anexar a região numa entrevista dada no domingo, na qual afirmou que os EUA precisam da Gronelândia e descreveu a ilha como estando "rodeada de navios russos e chineses".

As declarações levaram o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens Frederik Nielssen, a reagir, defendendo, na segunda-feira de manhã, ter chegado a altura do presidente dos Estados Unidos parar com as pressões e insinuações.

Recusando qualquer paralelo entre a situação do território dinamarquês e a da Venezuela, cujo líder foi raptado no sábado pelos Estados Unidos, Nielssen lembrou que a Gronelândia é um país democrático.

Pouco depois, a União Europeia (UE) avisou que a Gronelândia não é "um bocado de terra que esteja à venda" e garantiu estar em contacto com o Governo daquela região, enquanto o primeiro-ministro britânico afirmava que o futuro da Gronelândia só pode ser decidido pela própria e pela Dinamarca.

Ao mesmo tempo, a primeira-ministra dinamarquesa alertava para as consequências de um ataque norte-americano a um país da NATO, dizendo que isso seria "o fim de tudo", incluindo da aliança militar e do sistema de segurança estabelecido desde o final da II Guerra Mundial.

Afirmando estar a fazer "todos os possíveis" para impedir uma escalada da tensão, Mette Frederiksen rejeitou as alegações de Washington sobre falhas de segurança no Ártico e sublinhou que a Dinamarca alocou o equivalente a 1,2 mil milhões de euros à segurança na região até 2025.

Apesar do aviso, o chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, Stephen Miller, reiterou, na segunda-feira à tarde, que a Gronelândia deve fazer parte dos Estados Unidos.

"O presidente [norte-americano] tem vindo a deixar claro, há meses, que os Estados Unidos devem ser a nação que tem a Gronelândia como parte do seu sistema de segurança geral", disse numa entrevista à estação de televisão CNN.

A Gronelândia, uma vasta ilha ártica com uma população de 57.000 habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.

Os Estados Unidos já possuem ali uma base militar e operaram no local cerca de outras 10 durante a Guerra Fria.

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