Proteção Civil brasileira avançou que é elevado o número de vítimas a aguardar socorro sobre o teto de imóveis em localidades totalmente isoladas.
Imagens aéreas mostram edifícios quase cobertos por água após passagem de ciclone extratropical no Brasil
Três dias após o violento ciclone que atingiu o estado brasileiro do Rio Grande do Sul, no sul do país, esta quarta-feira ainda há um grande número de sobreviventes em cima de telhados à espera de serem resgatados por botes ou helicópteros, que ainda não conseguiram chegar a todas as áreas atingidas. Um novo balanço parcial divulgado na manhã desta quarta-feira, 6 de Setembro, pelo governo regional, atualizou o número de vítimas fatais para 28, tornando este ciclone, o quinto do ano no Rio Grande do Sul, a maior tragédia natural do estado.
Não há um número oficial de pessoas nesta desesperante espera sobre telhados, até porque a maior parte do centro e do norte do Rio Grande do Sul estão sem energia e sem telefone fixo ou móvel, mas a Proteção Civil avançou que é grande o número de vítimas a aguardar socorro sobre o teto de imóveis em localidades totalmente isoladas. Na madrugada desta quarta-feira, um dos dois únicos helicópteros com equipamentos de visão noturna em operação na área da tragédia conseguiu a muito custo resgatar do alto de um telhado em Muçum um casal com um bebé recém-nascido, encharcados, famintos e com a vida em risco devido às baixas temperaturas que chegaram com a tempestade.
Como eles, muitos outros sobreviventes estão em cidades totalmente isoladas do resto do país, onde pessoas tentam sobreviver amparadas meramente pela esperança e pela Fé, pois não sabem o que se está a passar fora dali nem quando as equipas de resgate chegarão. A situação mais crítica é no Vale do Taquari, uma região no centro do estado formada por 36 pequenas cidades sem capacidade de resposta a uma tragédia com esta dimensão, e onde o Rio Taquari, que corta toda a área, em algumas localidades está assustadores 17 metros acima do seu nível normal.
No vale, as cidades mais atingidas são Muçum, Roca Sales, Encantado e Lajeado. As pontes que ligam essas cidades foram arrancadas pela enxurrada, deixando os municípios ilhados do resto do brasil e sem nenhuma infraestrutura em pé, pois os ventos permanentes de mais de 100 km por hora e a chuva torrencial que cai desde domingo destruíram tudo.
Em Muçum, por exemplo, as águas do Rio Taquari atingiram áreas onde nunca se pensou que chegariam e em toda a cidade, com aproximadamente 5000 habitantes, só dá para ver os telhados das raras casas que tinham mais de dois andares, tudo o resto está submerso. Em Roca Sales, os bombeiros têm resgatado pessoas em botes na altura do segundo andar das casas, tal a altura das águas do rio misturadas com as da chuva torrencial.
Ao todo, 88 cidades do Rio Grande do Sul foram atingidas pelo ciclone, 67 das quais de forma muito grave, e entre estas, várias simplesmente foram varridas do mapa do Brasil, não tendo restado nada em pé. A força da tempestade foi tão grande que até em cidades em pontos altos, como Santa Teresa, na região serrana do Rio Grande do Sul, dezenas de residências foram arrancadas das suas fundações e arrastadas montanha abaixo inteiras, para desespero de quantos, sem poder fazer mais nada, ficavam a assistir à perda de tudo o que tinham conseguido reunir ao longo de toda a vida, misturando as lágrimas de tristeza pela perda com as da alegria por terem conseguido salvar pelo menos a própria vida.
Com uma demora que segundo algumas vozes críticas poderia ter sido evitada se o presidente Lula da Silva estivesse menos ligado às questões internacionais e mais atento ao que se passa no Brasil, o governo federal enviou esta quarta-feira uma comitiva de ministros para sobrevoarem as áreas mais afetadas e apurarem as dimensões da tragédia e estimar o que será necessário para a reconstrução das cidades, quando, na verdade, o que seria necessário era o envio maciço de equipas de resgate, de botes, meios aéreos, mantimentos, água e medicamentos. A toda a tragédia que já destruiu parte do estado do Rio Grande do Sul, que tem mais de três vezes o tamanho de Portugal e quase o mesmo número de habitantes, soma-se agora a preocupação com o que pode acontecer com regiões ainda pouco atingidas, mas que nas próximas horas e dias receberão os enormes volumes excedentes de água dos rios que estão muito acima do nível e desaguam nelas.
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