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Telegram utilizado para partilhar vídeos de abusos sexuais e dicas sobre como drogar as vítimas na Alemanha

Em publicações que, por vezes, incluíam fotografias e vídeos dos ataques a vítimas inconscientes, referiam-se às mulheres como "carros", aos sedativos como "combustível" e à violação como "conduzir".

08 de julho de 2026 às 12:02

Autodenominavam-se "escola de condução alemã para especialistas", mas os investigadores afirmam que o verdadeiro objetivo das conversas no Telegram era gabarem-se das mulheres que violavam e partilhar dicas sobre como as drogar.

Em publicações que, por vezes, incluíam fotografias e vídeos dos ataques a vítimas inconscientes, referiam-se às mulheres como "carros", aos sedativos como "combustível" e à violação como "conduzir", de acordo com documentos judiciais. Às vítimas, chamavam-lhes de "porcos mortos", explica a ABC News

As publicações têm vindo a ser analisadas minuciosamente há vários anos e, de acordo com os investigadores, os grupos de mensagens eram compostos principalmente por homens de nacionalidade chinesa que tinham como alvo, na sua maioria, mulheres chinesas na Alemanha. A investigação levou à condenação de três alegados membros do círculo por violação e outras acusações. 

"Os autores caracterizavam-se por uma crueldade particular, uma objetificação das vítimas e pelo planeamento traiçoeiro dos seus crimes", afirmou o procurador-geral de Frankfurt, Dominik Mies, à Associated Press.

Até ao momento, não é conhecido o número de ataques realizados ou autores associados aos chats do Telegram na Alemanha.

"O que nos deixa realmente furiosas é ver que esses grupos odeiam as mulheres, não têm qualquer respeito", afirmou Fu Xiao, uma mulher que foi assistir ao julgamento. "As mulheres não são vistas como pessoas", acrescentou.

Casos semelhantes aos relatados na Alemanha têm vindo a surgir em todo o mundo. Na semana passada a Europol, agência policial da União Europeia, anunciou o "Projeto Medusa", uma operação internacional destinada a desmantelar redes online que promovem agressões sexuais facilitadas pelo uso de drogas. 

Em 2024, o fundador do Telegram, Pavel Durov, foi detido em Paris devido a alegações de que a plataforma estava a ser utilizada para atividades ilícitas, incluindo tráfico de drogas e partilha de imagens de abuso sexual de menores, uma investigação que continua em curso. 

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