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Correio da Manhã

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Transferência de líderes da maior fação criminosa do Brasil deixa São Paulo em alerta

22 líderes do Primeiro Comando da Capital foram transferidos para várias cadeias de alta segurança geridas pelo governo central.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 13 de Fevereiro de 2019 às 16:49
Marcos Willians Herbas Camacho
Marcos Willians Herbas Camacho
Polícia Federal brasileira
Polícia brasileira
Marcos Willians Herbas Camacho
Marcos Willians Herbas Camacho
Polícia Federal brasileira
Polícia brasileira
Marcos Willians Herbas Camacho
Marcos Willians Herbas Camacho
Polícia Federal brasileira
Polícia brasileira

As forças de segurança do estado brasileiro de São Paulo entraram esta quarta-feira em alerta máximo após a transferência de 22 líderes da maior fação criminosa do país, o Primeiro Comando da Capital, PCC, para várias cadeias de alta segurança geridas pelo governo central. Entre os transferidos está Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como o líder supremo da organização criminosa, criada em São Paulo em 1999 e que já tem ramificações em todos os estados do Brasil e em outros países.

As transferências começaram de madrugada, rodeadas de um gigantesco aparato de segurança, que contou com efetivos das polícias regionais paulistas, efetivos de polícias federais e militares das Forças Armadas, tal a importância de Marcola no mundo do crime e o temor de que a fuga de alguma informação sobre a operação permitisse uma tentativa de resgate. Foi levado num comboio de viaturas da prisão onde se encontrava, a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, cidade no interior, a 580 km de São Paulo, e depois embarcou num avião da Força Aérea Brasileira no aeroporto de Presidente Prudente, a 60 km da prisão, rumo a destino desconhecido.

Nem as autoridades de São Paulo nem o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que participou na operação com efetivos da recém-criada Secretaria de Operações Integradas, informaram onde Marcola e os outros 21 líderes do PCC, transferidos em grupos ao longo da madrugada, vão ficar presos. Sabe-se apenas que entre os destinos desses criminosos estão as cadeias federais de Brasília, no centro do Brasil, de Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte, no nordeste do país, e de Porto Velho, no norte.

Essas prisões são temidas por terem um regime disciplinar extremamente rigoroso e por os presos não terem contacto uns com os outros, pois ficam em celas individuais e estão sob vigilância apertada em todos os poucos momentos em que partilham alguma área comum. As celas dessas prisões são monitorizadas por câmaras no lado de fora e de dentro, sob as paredes, chão e teto foram instaladas grossas barreiras metálicas, para se impedir que os presos escavem um buraco de fuga, por exemplo, e os corredores são vigiados 24 horas por dia por homens fortemente armados e, em alguns casos, até por cães.

Medo de ataques 

O PCC tinha alertado as autoridades de que a transferência de Marcola, já condenado a mais de 300 anos pelos mais variados tipos de crime, e dos outros líderes da organização ia ter uma resposta altamente sangrenta. Por isso, todas as forças de segurança de São Paulo estão em alerta e tomaram medidas adicionais de segurança nas ruas e de resposta a eventuais ações criminosas.

Em bilhetes atribuídos a Marcola e enviados a outros membros da fação e que foram recuperados pela polícia depois de instalar redes nos esgotos que saem das celas desses criminosos, o chefe supremo do PCC ordenava que, se fosse transferido, houvesse uma resposta imediata e sangrenta. Entre as ações ordenadas pelo líder da fação estão as execuções de promotores do Ministério Público que pediram a transferência dos presos, de juízes e outras autoridades.

Em 2001, quando o PCC tinha apenas dois anos de criação, houve um motim generalizado e simultâneo em dezenas de prisões de todo o estado de São Paulo, e muitos criminosos foram assassinados por outros reclusos como resposta ao endurecimento da disciplina nessas cadeias. Em 2006, numa outra ação de retaliação, desta feita após o confinamento de Marcola numa cela de isolamento, o PCC desencadeou ao longo de duas semanas uma série de ataques à bala e à bomba contra esquadras, prédios públicos, autocarros dos transportes colectivos, bancos, lojas e até simples transeuntes, deixando um dramático saldo de 439 mortos, entre criminosos, polícias e cidadãos inocentes. (FIM).            

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