22 líderes do Primeiro Comando da Capital foram transferidos para várias cadeias de alta segurança geridas pelo governo central.
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As forças de segurança do estado brasileiro de São Paulo entraram esta quarta-feira em alerta máximo após a transferência de 22 líderes da maior fação criminosa do país, o Primeiro Comando da Capital, PCC, para várias cadeias de alta segurança geridas pelo governo central. Entre os transferidos está Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como o líder supremo da organização criminosa, criada em São Paulo em 1999 e que já tem ramificações em todos os estados do Brasil e em outros países.
As transferências começaram de madrugada, rodeadas de um gigantesco aparato de segurança, que contou com efetivos das polícias regionais paulistas, efetivos de polícias federais e militares das Forças Armadas, tal a importância de Marcola no mundo do crime e o temor de que a fuga de alguma informação sobre a operação permitisse uma tentativa de resgate. Foi levado num comboio de viaturas da prisão onde se encontrava, a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, cidade no interior, a 580 km de São Paulo, e depois embarcou num avião da Força Aérea Brasileira no aeroporto de Presidente Prudente, a 60 km da prisão, rumo a destino desconhecido.
Nem as autoridades de São Paulo nem o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que participou na operação com efetivos da recém-criada Secretaria de Operações Integradas, informaram onde Marcola e os outros 21 líderes do PCC, transferidos em grupos ao longo da madrugada, vão ficar presos. Sabe-se apenas que entre os destinos desses criminosos estão as cadeias federais de Brasília, no centro do Brasil, de Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte, no nordeste do país, e de Porto Velho, no norte.
Essas prisões são temidas por terem um regime disciplinar extremamente rigoroso e por os presos não terem contacto uns com os outros, pois ficam em celas individuais e estão sob vigilância apertada em todos os poucos momentos em que partilham alguma área comum. As celas dessas prisões são monitorizadas por câmaras no lado de fora e de dentro, sob as paredes, chão e teto foram instaladas grossas barreiras metálicas, para se impedir que os presos escavem um buraco de fuga, por exemplo, e os corredores são vigiados 24 horas por dia por homens fortemente armados e, em alguns casos, até por cães.
Medo de ataques
O PCC tinha alertado as autoridades de que a transferência de Marcola, já condenado a mais de 300 anos pelos mais variados tipos de crime, e dos outros líderes da organização ia ter uma resposta altamente sangrenta. Por isso, todas as forças de segurança de São Paulo estão em alerta e tomaram medidas adicionais de segurança nas ruas e de resposta a eventuais ações criminosas.
Em bilhetes atribuídos a Marcola e enviados a outros membros da fação e que foram recuperados pela polícia depois de instalar redes nos esgotos que saem das celas desses criminosos, o chefe supremo do PCC ordenava que, se fosse transferido, houvesse uma resposta imediata e sangrenta. Entre as ações ordenadas pelo líder da fação estão as execuções de promotores do Ministério Público que pediram a transferência dos presos, de juízes e outras autoridades.
Em 2001, quando o PCC tinha apenas dois anos de criação, houve um motim generalizado e simultâneo em dezenas de prisões de todo o estado de São Paulo, e muitos criminosos foram assassinados por outros reclusos como resposta ao endurecimento da disciplina nessas cadeias. Em 2006, numa outra ação de retaliação, desta feita após o confinamento de Marcola numa cela de isolamento, o PCC desencadeou ao longo de duas semanas uma série de ataques à bala e à bomba contra esquadras, prédios públicos, autocarros dos transportes colectivos, bancos, lojas e até simples transeuntes, deixando um dramático saldo de 439 mortos, entre criminosos, polícias e cidadãos inocentes. (FIM).
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