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Operação tem lugar num clima de crescentes tensões com os EUA, país que enviou navios lança-mísseis e fuzileiros para as Caraíbas numa operação contra cartéis narcotraficantes.
O Presidente Nicolás Maduro ativou esta quinta-feira o "Plano Independência 200", que define 284 "frentes de batalha" para garantir a independência da Venezuela.
A operação ativada hoje tem lugar num clima de crescentes tensões com os Estados Unidos da América, país que enviou navios lança-mísseis e fuzileiros para as Caraíbas numa operação contra cartéis narcotraficantes.
"Estamos a ativar neste momento de norte a sul, de leste a oeste, desde todas as costas do Caribe venezuelano, desde a fronteira com a Colômbia, desde os Andes, desde o leste do país, estamos a ativar 284 frentes de batalha com as Forças Armadas Nacionais Bolivariana (Fanb) e todo o seu equipamento", anunciou.
O anúncio teve lugar num ato com militares na madrugada de hoje na Cidade Caribia, a norte de Caracas, transmitido pela televisão estatal venezuelana, durante o qual sublinhou a "resistência ativa e defensiva permanente" das Fanb e dos organismos de segurança para garantirem a proteção total das costas venezuelanas e a defesa íntegra do país.
"Os mares, as terras e as montanhas pertencem ao povo da Venezuela, nunca pertencerão ao império norte-americano (...) elevámos a nossa capacidade de mobilização a qualquer hora, em qualquer momento e para qualquer fim", sublinhou.
O Presidente da Venezuela disse ainda que ninguém agredirá a Venezuela e o que o país tampouco aceita ameaças de ninguém.
"Defendemos o direito à paz da Venezuela porque ninguém tem o direito de perturbar a independência, a integridade territorial e a soberania do povo [venezuelano] (...) Não queremos a paz das colónias, da escravidão", disse, frisando que o país tem direito a desenvolver o seu próprio modelo político.
No final de julho, os Estados Unidos classificaram como uma organização terrorista o 'Cartel dos Sóis', um grupo que Washington alega estar ligado a Nicolás Maduro.
As tensões entre Washington e Caracas intensificaram-se nas últimas semanas, depois de, em 16 de agosto, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ter afirmado que os Estados Unidos estão preparados para "usar todo o seu poder" para travar o "fluxo de drogas" para o território norte-americano.
Caracas recebeu como ameaça a notícia de que Washington enviou para águas caribenhas navios lança-mísseis e 4.000 fuzileiros numa alegada operação contra cartéis narcotraficantes, em resposta à qual Caracas anunciou a deslocação por todo o país de 4,5 milhões de milicianos, componente da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB).
Hoje, Leavitt reiterou que o Governo de Nicolás Maduro na Venezuela é ilegítimo e acusou-o de traficar drogas para os Estados Unidos.
A porta-voz da Casa Branca também se referiu ao ataque norte-americano ocorrido na semana passada, contra uma embarcação proveniente da Venezuela com 11 supostos membros do gangue criminoso 'Tren de Aragua' a bordo.
"Envia uma mensagem clara aos traficantes de droga do mundo: o Presidente não os tolerará. A quantidade de drogas apreendida naquela embarcação poderia ter causado a morte de milhares de americanos. Não permitiremos que esse veneno mortal entre no nosso país", acrescentou.
Caracas rejeitou categoricamente as acusações, condenando o ataque e acusando Washington de uma campanha de manipulação.
No dia 21 de agosto, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu aos Estados Unidos e à Venezuela que "resolvam as diferenças por meios pacíficos".
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