Duas pessoas chegaram da Índia à procura de uma espécie de sonho europeu em território português mas encontraram a morte por causa de um incêndio na casa miserável e insalubre em que foram despejados. Acontece que esse prédio onde se acumulava pobreza e desespero fica em Lisboa, num bairro típico mais habitualmente associado a turismo do que a uma tragédia deste género, ou ao inferno das chamas.Por mais invisíveis que sejam, eles já fazem parte do nosso país. Votá-los ao abandono, ou deixá-los à mercê da violência gratuita como naquele caso de Olhão, não é solução, e só contribuirá para agravar o problema.
Era aliás alojamento local o que anunciava a placa na parede exterior, numa mentira insidiosa e mortal. Os relatos de quem conhece aquela realidade indicam que a fuga às chamas e sobretudo ao fumo tornou-se missão difícil porque os beliches tapavam as saídas pelas janelas e portas, quase encurralando toda aquela gente numa armadilha fatal.
A tragédia de sábado à noite no bairro da Mouraria podia ter sido muito pior, basta ver as primeiras imagens da debandada inicial de uma multidão desesperada. Mas o fogo num prédio da Rua do Terreirinho revela a realidade tenebrosa de imigrantes sem voz nem capacidade de reivindicar as mínimas condições de vida, atirados para uma desgraça imensa, e da qual as autoridades portuguesas fazem questão de desviar o olhar.
Por mais invisíveis que sejam, eles já fazem parte do nosso país. Votá-los ao abandono, ou deixá-los à mercê da violência gratuita como naquele caso de Olhão, não é solução, e só contribuirá para agravar o problema.
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Por Carlos Rodrigues
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