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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"Adiar as eleições sem enquadramento legal seria um precedente gravíssimo"

06 de fevereiro de 2026 às 00:32

No final de uma campanha eleitoral em que a democracia foi declarada em risco demasiadas vezes, quase sempre de forma artificial e sem sentido, eis que surgiu ontem uma nuvem que efetivamente pairou sobre a ordem constitucional. A sugestão de adiar as eleições gerou ao longo do dia uma quantidade enorme de declarações, que culminaram na ideia de uma “solução criativa” para que tal acontecesse. O problema é que a lei não o prevê nem admite, e a Constituição impede-o, como explicou o professor Rui Pereira na CMTV. É muito preocupante ver como se propagam opiniões que contrariam o mais sagrado que há num regime democrático, precisamente o primado da lei. Durante horas, enquanto se falava da tal “solução criativa”, que visava inventar à pressa uma forma de impedir que os portugueses fossem às urnas de acordo com os princípios legais, a democracia esteve efetivamente em causa. Adiar as eleições de forma improvisada seria um precedente gravíssimo. Os portugueses querem votar, exigem escolher, e têm o direito de o fazer. Nos concelhos onde tal não seja humanamente possível, o voto pode ser adiado uma semana. Só nessas circunstâncias. Tirando os casos excecionais, vamos a votos. Com tudo isto, fomos alertados para a facilidade com que se coloca em perigo as instituições. Facilidade quase só comparável à forma leviana como se agita o falso papão da ditadura contra os que pensam de forma diferente da maioria.   

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