Carlos Rodrigues
DiretorO primeiro grande choque do País foi perceber a dimensão inédita e diferente dos estragos. O grau de destruição provocado pelo temporal não foi minimamente previsto, e as populações, na verdade, não foram alertadas para o que podia acontecer, sobretudo pela forma e pela intensidade como aconteceu. A este choque inicial seguiu-se a perplexidade provocada pelo tempo excessivo, gasto pelos diversos poderes, em perceber a gravidade dos acontecimentos, com a exceção óbvia das câmaras e das juntas. Só que o poder local não tinha forma de comunicar para fora com eficácia, e esse foi precisamente o terceiro grande golpe aplicado por esta crise sem precedentes: o isolamento e a escuridão provocados pela falta de eletricidade e de comunicações. O facto de haver dezenas de milhares de pessoas sem luz uma semana depois da tempestade agrava a incompreensão e a revolta das populações. Uma vergonha. A interrupção das cadeias de distribuição de bens básicos e a facilidade com que toda a região Centro colapsou são outros elementos chocantes que nos confrontam com a fragilidade das nossas estruturas. A falta de sensibilidade, as frases frias e desumanas ditas por vários governantes, os vídeos sem sentido e a desorientação geral do poder, as ações desgarradas em vez do lançamento imediato de uma espécie de plano Marshal para o Centro do País, tudo isto agravou o sentimento geral de que, acima de tudo, fomos abandonados à nossa sorte.
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Por Carlos Rodrigues.
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