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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"As opções em cima da mesa são más. Que a Europa encontre uma terceira via"

30 de março de 2026 às 00:31

Neste momento, o Irão está a ganhar uma guerra que não queria e em que os seus líderes foram dizimados nas primeiras horas de bombardeamentos. Passado um mês, o regime sobrevive, conseguiu exportar e internacionalizar o conflito, ainda possui um poder de fogo, ao nível dos mísseis e dos drones, que o Ocidente não consegue determinar, e domina completamente o estreito de Ormuz. Israel parece ter mais problemas na reposição das munições da defesa aérea que o inimigo na capacidade de ataque. O caos no comércio global de energia provocado pela ação iraniana à saída do golfo Pérsico será uma arma perene para o poder de Teerão, porque vai manter-se para lá, e independentemente, do resultado da guerra. Sob este ponto de vista, o Irão está mais forte que à entrada do conflito, e manterá uma capacidade de pressão internacional que não tinha. A América está a perder a guerra e vai sair derrotada se não houver intervenção no terreno, opção pouco provável neste momento. Para os europeus, e para os cidadãos de bem em geral, a derrota de Trump parece uma boa notícia, e quanto mais acentuada for, melhor, porque mais duradouros serão os efeitos. Afastar o movimento MAGA do poder na América é um bem por si só. Porém, um mundo em que o regime facínora dos aiatolas se mantenha, quiçá, até, saia reforçado, é um mundo mais perigoso. Neste momento, todas as opções em cima da mesa são más. Que a Europa encontre uma terceira via.

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