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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"O anúncio de Montenegro é inútil e reforça a instabilidade"

23 de julho de 2026 às 00:32

Ninguém tranquiliza dizendo que não vai a lado nenhum. O anúncio do gabinete de Luís Montenegro de que o primeiro-ministro não vai marcar férias é inútil e transmite sinais políticos preocupantes. É inútil porque nenhuma decisão fica por tomar com o primeiro-ministro de férias. É uma das regras da boa gestão: o líder é tanto mais eficaz quanto a estrutura funciona na perfeição na sua ausência, pelo que anunciar que não haverá pausa do chefe do Governo é a confissão de uma fragilidade que nunca tinha sido assumida. Se a ideia era pedir desculpas pelo erro político de ter ido ao futebol com o País em risco de incêndios, haveria outras formas de o fazer. Já agora: Montenegro não descansa, tudo certo. E o gabinete também não tira férias? Os secretários de Estado, os diretores, os assessores ficam todos a trabalhar? Ou o País há de descansar por saber que, em agosto, há um homem sozinho em São Bento a decidir tudo? Nenhuma das respostas o favorece. O mais grave, porém, é que, politicamente, aprofunda a ideia de instabilidade. Difundir por comunicado que o chefe do Governo não sairá do País é dar a entender que há razões para não sair. Que o horizonte pede vigilância. Luís Montenegro tem de decidir dentro de si se vai apostar numa boa governação, ou se passará os próximos anos a cair na tentação de ir a eleições sucessivas à espera de uma maioria absoluta. As férias talvez fossem boas conselheiras para tamanho dilema.

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