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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"Este plano implica mudar de ministro? Provavelmente"

22 de julho de 2026 às 00:32

O ministro da Educação deve parar de pendurar problemas sobre problemas. Isso só vai comprometer a confiança no sistema. Primeiro, foram os atrasos. Depois, as notas suspensas, agora os parâmetros em causa, e ainda faltavam as páginas em branco. Tudo resolvido numa fase especial. Remendos sobre remendos no problema original: a digitalização falhou. Neste momento estamos à beira de um falhanço que marcará a geração que entra este ano na universidade. Talvez seja tempo de parar. A segunda chamada deve ser corrigida à mão, para recuperar a credibilidade. Isso deve ser decidido já. Todas as notas duvidosas devem, também, dar origem a um processo especial de avaliação. Se as provas existem fisicamente, e se a sua localização é conhecida (mal seria se não fosse), o melhor é ir lá, encontrar o enunciado e fazer a verificação física. É um pesadelo logístico? Certamente, até porque todos os alunos devem ter a mesma possibilidade. Mas é a melhor opção. A digitalização gerou o bloqueio, a prova física original volta a ser a única fonte de verdade. Corrige-se o papel que o aluno escreveu, não o ficheiro que a máquina corrompeu. Não é nostalgia. É perceber que um sistema incapaz de garantir a integridade do que digitaliza não tem autoridade para dar uma nota. Não vejo outra saída. Sem ela, o caminho de remendos a que assistimos corre o risco de acabar com a pura e simples anulação dos exames do 12.º ano. A quantidade de processos na justiça que aí vem arrisca passar o caos para as universidades. Este plano implica mudar de ministro? Provavelmente. 

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