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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"O ataque da ministra ao PR é um erro político e um desastre estratégico"

20 de maio de 2026 às 00:32

A ministra do Trabalho tem uma tendência inata para arranjar problemas. Faz lembrar aqueles familiares com azar, que chegam atrasados aos almoços porque lhes acontece sempre alguma coisa a caminho do restaurante, e que depois se desfazem em desculpas pelo mau jeito. “O PR empoderou a UGT, que ficou legitimada para não chegar a acordo” sobre as leis laborais, disse a ministra numa entrevista à Antena 1. Maria Palma Ramalho não encontrou melhor forma para assinalar a entrega no Parlamento das alterações à lei laboral do que desferir o primeiro ataque sério deste Governo ao Presidente da República mais votado da História da democracia.

Na mesma frase, a ministra do Trabalho menoriza os sindicatos e atira as culpas a António José Seguro. Pior: ao lamentar-se pelo chamado “empoderamento” da UGT, mostra que toma partido na discussão, e que preferia que os trabalhadores não tivessem nenhum poder negocial porque isso facilitaria o entendimento. Numa só frase, fica bem claro que a UGT tem toda a razão ao recusar o acordo, visto que o Governo, pelos vistos, trabalha para reduzir o poder dos sindicatos. A frase é um erro político e um desastre estratégico. Atacar desta forma o chefe de Estado, que tem funcionado, neste arranque de mandato, como um pêndulo regulador das instituições, agrava o diferendo em redor de uma lei inútil, e reduz em muito o espaço de manobra do Governo de que a ministra faz parte.    

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