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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"O Exército europeu já existe e chama-se Ucrânia"

06 de agosto de 2026 às 00:32

Seja qual for o desenlace da guerra na Ucrânia, a reviravolta na relação de forças é notável. No princípio parecia inevitável uma fulminante queda ucraniana. As notícias do avanço imparável da Rússia sucederam-se a cada novo inverno inclemente. Essas notícias foram sempre claramente precipitadas. Quatro anos depois, a Ucrânia já consegue atingir o território russo com muita profundidade, levando a destruição, o sofrimento e o dano económico bem para lá da fronteira. A inovação tecnológica financiada pelos europeus esteve na origem desta alteração. Falamos hoje da guerra assimétrica quando ouvimos os nossos generais dissertarem sobre a forma como o Irão dominou o ataque irracional americano, mas o primeiro episódio relevante dessa assimetria foi a resposta de Kiev. Uma potência nuclear está em dificuldades perante um vizinho com um poder militar muito mais frágil, e que perdeu a ajuda americana no meio do processo. Por tudo isto, quando hoje dizemos que a Europa é um gigante político sem Forças Armadas, esquecemo-nos que esse Exército europeu já existe, e atua todos os dias na Ucrânia. Esta nova relação de forças ameaça eternizar a guerra? Há esse risco. A dor e o sofrimento diário provocados pelos infames ataques russos aí estão para o provar. Mas levar a guerra ao território da Rússia é a maior oportunidade que podemos dar à paz, porque só assim o gigante acabará por ceder. Também aqui a Europa não pode falhar. 

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