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Luís Campos Ferreira

Luís Campos Ferreira

Ajudar a levantar

01 de junho de 2026 às 00:30

Há temas que pedem mais serenidade e menos trincheiras. O Rendimento Social de Inserção é um deles. Entre os que defendem apoios sem reservas e os que olham para qualquer prestação social com desconfiança, existe um ponto de equilíbrio. Uma sociedade civilizada não abandona quem caiu. Apoia quem perdeu o emprego, quem enfrenta uma doença, quem vive uma situação familiar difícil ou quem, por razões diversas, ficou para trás. Mas a solidariedade não se esgota na transferência de um rendimento. O seu objetivo último deve ser devolver autonomia, confiança e perspetivas de futuro. Por isso, as propostas que procuram reforçar a ligação entre os apoios sociais e percursos de integração, formação ou participação na comunidade não devem ser vistas como um castigo. São uma forma de fortalecer o próprio sentido da ajuda. Naturalmente, há situações que merecem proteção sem hesitações nem contrapartidas. A justiça social exige tanto de sensibilidade como de discernimento. Para o Estado social continuar a merecer a confiança dos cidadãos, tem de ser simultaneamente humano, justo e sustentável. Tem de proteger sem acomodar, apoiar sem desistir das pessoas. Porque a solidariedade não consiste em garantir que alguém permanece dependente da ajuda. Consiste em criar as condições para que um dia possa voltar a caminhar pelo seu próprio pé.

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