page view
Luís Campos Ferreira

Luís Campos Ferreira

Uma comissão sem fronteiras?

27 de julho de 2026 às 00:30

O Parlamento deve fiscalizar o poder público. Mas uma comissão de inquérito anunciada para avaliar os mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária levanta uma questão que ultrapassa a pessoa sentada no Governo. A lei confere aos órgãos de polícia criminal autonomia técnica e tática: liberdade para escolher métodos, tempo, lugar e modo adequados à investigação, sob direção da autoridade judiciária competente. Não é independência absoluta da PJ. É proteção contra interferências externas nos processos. O risco está no objeto. Investigar atos administrativos, contratos ou responsabilidades políticas é legítimo. Julgar globalmente "mandatos" pode levar ao debate partidário decisões operacionais, relações com magistrados, prioridades de investigação e processos protegidos por segredo. Nesse ponto, já não se escrutina apenas um antigo diretor: examina-se, na prática, a polícia criminal. Há precedentes de diretores da PJ ouvidos em inquéritos parlamentares, como no caso de Tancos. O que não encontrei foi uma comissão destinada a rever globalmente a atuação de um diretor nacional. Sem limites rigorosos, cria-se um precedente intimidatório: cada investigação sensível poderá ser relida pela maioria parlamentar do momento. O Estado de direito exige fiscalização. Mas enfraquece quando a investigação criminal trabalha sob a sombra de um tribunal político.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Casas

Na habitação, o moralismo produziu escassez.

A prova dos nove

PS terá de responder se quer ser alternativa de Governo ou só oposição.

O Correio da Manhã para quem quer MAIS

Icon sem limites

Sem
Limites

Icon Sem pop ups

Sem
POP-UPS

icon ofertas e descontos

Ofertas e
Descontos

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8