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Luís Campos Ferreira

Luís Campos Ferreira

Uma moção para marcar lugar

07 de setembro de 2026 às 00:30

Amanhã, o Parlamento discute uma nova moção de censura do Chega ao Governo. Mesmo sabendo de antemão que será chumbada, André Ventura não considera este acto performativo como inútil. Pelo contrário. Permite-lhe manter um caso na ordem do dia, cavalgar a pressão sobre o governo, obrigar os demais partidos a tomar posição. Tudo isto ajuda-o a fixar a ideia que lhe convém: a de que é, mais do que qualquer outro, a oposição ao governo. Estamos em pleno campo do jogo político. Acontece que uma moção de censura deveria começar noutro lugar: na convicção de que o governo deve cair e de que quem o quer derrubar está preparado para o dia seguinte. Para governar, construir uma alternativa ou defender que o país volte a escolher. É aí que esta moção se torna reveladora nas suas motivações. Não é feita para mudar o governo, apenas para o desgastar, para o molestar. Não abre caminho para o poder; procura fechar a disputa pelo primeiro lugar da oposição, ainda mais com novo orçamento de Estado à porta. Não importa que, para isso, se apresente insinuações como provas, suspeições como factos, ou se passe ao lado de toda a investigação em curso. O que importa é berrar, e se berrar sozinho tanto melhor: toda a gente olha para o lugar de onde vem o barulho.

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