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Rui Zink

Rui Zink

A Odisseia

24 de julho de 2026 às 00:30

A Eu es-estava apenas a dar os me-meus primeiros passitos, ainda pequenita como tudo, naquele espaço desolado, que nem sabia que era todo branco, branco que nem um brinco. É que, recém-nascida mas já já ciente de que o mundo tem mil perigos, eu ia aproveitando o escuro para percorrer o meu caminho. Nesse momento, dá-se um relâmpago, e descubro que o deserto que atravessava era branco que nem um brinco. Estarreci. Eu sabia (não sei como mas sabia) que atrás da luz acesa vinha aí perigo divino, porque os deuses é que ligam a luz, e os deuses não gostam que pobres insetos (ainda por cima rastejantes) ousem atravessar os templos a eles dedicados. E nós, pobres baratas, nascemos com a ciência de que os deuses são caprichosos e vingativos.

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