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Rui Zink

Rui Zink

Esfuziante alegria

19 de setembro de 2025 às 00:30

Um jornal norte-americano, o ‘New York Times’, que assino para saber novas do terceiro mundo, tinha umas mini-palavras-cruzadas incluídas grátis no pacote. Eu fazia-as todas as manhãs para assustar aquele senhor de nome árabe-alemão, o Al-zheimer. Um americano fá-las-ia em trinta segundos. Eu, como não é a minha língua, já ficava todo contente se as resolvesse num quarto de hora. Enfim, sempre ajudava a passar a manhã. E agora, chegado setembro, não é que as mini-palavras-cruzadas passaram a ser pagas extra, mesmo por quem já paga a assinatura do jornal? Oh, dizem que fazem um "magnífico desconto de 75%” se eu “subscrever já”, mas quão magnífico pode ser um desconto se, até aqui, eu fazia as malfadadas palavras cruzadas à borla? Não subscrevi, claro. A chatice é que agora estou para aqui cheio de tremores, feito drogado no desmame. Eu já devia estar escaldado. Há muitos anos, quando um senhor simpático dava amostras de droga à porta do meu liceu, foi uma carga de trabalhos para me desabituar. E agora é a publicidade às ‘Betclics’ em todo o lado, mesmo às horas a que há menores a ver. Aliás, posso estar muito enganado, mas a publicidade parece dirigir-se sobretudo aos jovens. É assim que se constrói o futuro? Sou todo a favor dos casinos, mas os de pedra e cal, com shows e luzes e pessoas reais. O problema é que, como diz a própria publicidade, jogar a dinheiro passa a estar "à distância de um clic". Parece-me demais. Com franqueza, haverá mais descarado incentivo ao vício, em nome do lucro?

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