No rescaldo da triste notícia, a morte de alguém com quem privei e admiro, olhemos para a sua literatura, para a forma como este grande autor escavou aquilo a que se chama a "alma" portuguesa. Lobo Antunes, entre vários outros caminhos, conseguiu captar muitas características da sociedade portuguesa, características analisadas, por exemplo, por José Gil no seu importante livro O Medo de Existir. A ideia da dificuldade de existir, da dificuldade de se afirmar - isso está muito presente nas personagens de ALA, que muitas vezes parecem querer colocar-se em segundo plano, por medo de existir, de dar um passo em frente. Recordo sempre uma crónica extraordinária de Lobo Antunes em que um casal, já de alguma idade, está a jantar num restaurante. O homem começa a sentir-se mal e a mulher diz, bem baixinho: “não morras agora que estão a olhar para nós”.
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Lobo Antunes, entre vários outros caminhos, conseguiu captar muitas características da sociedade portuguesa.
Imagino uma revolução que quer impedir o inverno. Tomam a Bastilha, o palácio, o parlamento, atiram abaixo a coroa do rei ou a pose do presidente e proclamam o fim do inverno.
É como se não bastasse que o humano fosse consumidor – precisa de ser consumidor e belo.
Robert F. Kennedy Jr, aos poucos lá vai destruindo o sistema de saúde com base em ideias medievais exibidas em ecrãs ignorantes. E só passou um ano.
Uma tempestade pode até derrubar lápides e redes de comunicação, mas não deita abaixo a necessidade de rituais.
E como os últimos filmes de Canijo mostram: o que se passa na tela não é uma vida menor ou falsa, é uma outra vida; uma outra possibilidade.
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