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Paulo de Morais

Paulo de Morais

Professor universitário

Fogo à solta

14 de junho de 2026 às 00:30

Com a época de incêndios em curso, a prevenção está, mais uma vez, a falhar em toda a linha. A limpeza de terrenos – que é a máxima urgência - não se fez, nem se faz. Há dezenas de milhar de hectares por limpar. Mas, mesmo quando há limpeza de mato nas florestas, por norma pouco adianta. O material recolhido não é devidamente tratado. Nos concelhos com alta densidade florestal, as autarquias não dispõem de um sistema para recolha da biomassa e compensação dos proprietários pelas despesas de corte, limpeza e transporte. Os proprietários acabam por cortar árvores, arbustos e mato para os abandonar em terrenos limítrofes. Pior a emenda que o soneto: a biomassa cortada acaba a funcionar como combustível. Há ainda as queimadas, actividade perigosa fruto do desespero, que muitas vezes provocam incêndios por negligência. Assim, sem um sistema de recolha de biomassa, a limpeza dos terrenos é apenas uma deslocação de material inflamável. E mais um incentivo à indústria dos fogos.

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